Os pedidos de recuperação judicial no setor agropecuário cresceram 56,4% em 2025, segundo levantamento divulgado pela Serasa Experian. A datatech registrou 1.990 solicitações no ano passado, o maior volume desde o início da série histórica, em 2021.
Em 2024, o número havia sido de 1.272 pedidos, enquanto em 2023 foram 534 solicitações. A Serasa relacionou o aumento à combinação de juros elevados, elevação dos custos de produção e ao endividamento de parte dos produtores e empresas do setor, fatores que pressionaram o fluxo de caixa das operações rurais.
“O ambiente de crédito mais restritivo, combinado à manutenção de custos elevados de produção e a uma alavancagem elevada, continuou impactando o fluxo de caixa das operações rurais”, afirmou Marcelo Pimenta, head de agronegócio da Serasa Experian, em nota. Pimenta também ressaltou que a renegociação de dívidas e o planejamento financeiro são as melhores estratégias, e que a recuperação judicial deve ser usada como último recurso.
Distribuição por perfis e estados
A contagem de pedidos considera a soma de três segmentos da cadeia produtiva: produtores rurais pessoa física, produtores rurais pessoa jurídica e empresas relacionadas ao agronegócio. Entre os perfis monitorados, produtores pessoa física lideraram com 853 pedidos em 2025, ante 566 em 2024, alta de 50,7%.
Produtores pessoa jurídica apresentaram 753 solicitações em 2025, crescimento de 84,1% em relação ao ano anterior. Já as empresas com atuação ligada ao setor registraram 384 pedidos, aumento de 29,3% no comparativo anual.
Por unidades da Federação, Mato Grosso foi o estado com mais pedidos de recuperação judicial no agronegócio em 2025, com 332 registros. Em seguida vieram Goiás (296), Paraná (248), Mato Grosso do Sul (216) e Minas Gerais (196).
O relatório da Serasa evidencia o impacto das condições de crédito e do encarecimento dos custos de produção sobre a saúde financeira de produtores e empresas do campo, especialmente daqueles com maior alavancagem.
Com informações de G1




