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domingo, novembro 8, 2026

Peixes têm “impressão digital” química que indica local de origem, aponta estudo da Embrapa

Pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) identificaram um conjunto de substâncias no músculo da tainha que funciona como uma “impressão digital” capaz de revelar a região onde o peixe viveu. O trabalho analisou pequenas moléculas presentes no tecido e conseguiu distinguir tainhas capturadas em três pontos diferentes do Brasil.

Segundo os cientistas, diferenças na composição molecular dos músculos refletem variações ambientais, como a salinidade da água, o tipo de alimentação e particularidades do metabolismo dos peixes. No total, a equipe detectou 23 compostos químicos naturais no músculo das tainhas, compostos que fornecem informações sobre gasto energético, atividade muscular, alimentação e adaptação ao habitat.

Metodologia

Para mapear essas moléculas, os pesquisadores utilizaram a técnica conhecida como Ressonância Magnética Nuclear de Hidrogênio, que permite identificar a posição dos átomos de hidrogênio nas moléculas, associada à metabolômica, abordagem que estuda pequenas moléculas produzidas pelas reações químicas do organismo.

O estudo foi conduzido por Fabíola Fogaça, da Embrapa Agroindústria de Alimentos (RJ), e Luiz Colnago, da Embrapa Instrumentação (SP). A combinação da Ressonância Magnética Nuclear de Hidrogênio com análises metabolômicas possibilitou traçar um perfil químico capaz de diferenciar populações de tainha conforme suas condições de vida.

Aplicações

Os autores afirmam que a técnica pode ser usada para certificar a origem de pescados e ajudar a combater fraudes no mercado, como a troca de espécies ou a falsificação do local de captura. Além disso, a “impressão digital” química pode servir como base técnica para pedidos de Indicação Geográfica (IG) na modalidade Denominação de Origem, por exemplo, para a tainha da Lagoa de Araruama.

A Lagoa de Araruama, no estado do Rio de Janeiro, é apontada como a maior lagoa de concentração salina permanente do mundo, com salinidade média de 52%, valor superior ao do mar. Essa elevada salinidade influencia diretamente o metabolismo das tainhas que habitam a região, segundo os pesquisadores.

O estudo demonstra que diferenças metabólicas mensuráveis podem ser usadas como marcador de procedência, abrindo caminho para aplicações na certificação e fiscalização da cadeia pesqueira.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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