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domingo, outubro 25, 2026

‘Pense fora da caixa’: como evitar que IA enferruje seu cérebro

Estudos recentes apontam que o uso excessivo de ferramentas de inteligência artificial, como o ChatGPT, pode prejudicar habilidades cognitivas como criatividade, atenção, pensamento crítico e memória. A linha de pesquisa sobre esse impacto é ainda recente e não há consenso, mas especialistas ouvidos pelo G1 alertam para riscos e indicam medidas práticas para reduzir os efeitos negativos.

O que dizem os estudos e especialistas

Pesquisas publicadas no último ano sugerem que a IA tende a assumir tarefas que antes exigiam esforço mental, o que pode levar à deterioração da capacidade de realizar certos tipos de raciocínio. “De modo geral, sim”, afirma Adam Greene, professor de neurociência e diretor do Laboratório de Cognição Relacional da Universidade Georgetown, nos Estados Unidos, ao responder se há motivo para preocupação.

Uma meta-análise citada no texto, conduzida por pesquisadores liderados por Jared Benge, professor e neuropsicólogo clínico da Escola de Medicina Dell, da Universidade do Texas, avaliou 57 estudos com mais de 411 mil adultos e não encontrou evidências de uma “demência digital”; pelo contrário, o uso de tecnologia pareceu reduzir o risco de comprometimento cognitivo. Ainda assim, trabalhos específicos mostram efeitos pontuais: o uso de GPS reduz a formação de mapas mentais e piora memória espacial; o chamado “efeito Google” indica menor tendência a memorizar informações encontradas em mecanismos de busca.

Pesquisadores também identificaram fenômenos como a “rendição cognitiva” — quando usuários confiam mais nas respostas da IA do que no próprio julgamento — e observaram desempenho pior em testes padrão de pensamento crítico entre usuários frequentes de IA. Estudos indicam que o problema é maior quando o usuário tem pouco conhecimento sobre o assunto, conforme Hank Lee, doutorando da Universidade Carnegie Mellon e coautor de pesquisa sobre o tema.

Recomendações para usar IA sem perder habilidades

Especialistas ouvidos pelo G1 sugerem algumas práticas para evitar a terceirização cognitiva: não aceitar respostas da IA automaticamente; formular uma opinião inicial antes de consultar a ferramenta; usar a IA para confrontar ou testar hipóteses; introduzir mais esforço na busca por informações, fazendo anotações (preferencialmente à mão) e pedindo à IA que proponha perguntas ou crie flashcards.

Barbara Oakley, professora emérita de engenharia da Universidade de Oakland, chama atenção para a retenção de informações e lembra que estudos iniciais associaram uso frequente de chatbots a relatos aumentados de perda de memória entre estudantes. Um estudo de 2024 ainda não publicado sugere que resolver pequenos problemas antes de usar um chatbot pode melhorar o aprendizado obtido com a ferramenta.

Na esfera criativa, pesquisadores apontam que a IA tende a gerar ideias mais previsíveis e menos originais. Greene compara o uso indiscriminado da tecnologia a deixar um robô levantar pesos no lugar de quem treina: “É como ir à academia e deixar um robô levantar os pesos por você”, afirma. A recomendação é dedicar mais tempo à página em branco, registrando ideias próprias antes de buscar auxílio da IA.

Por fim, especialistas ressaltam que a IA não é inerentemente boa ou ruim; seus efeitos dependem do modo de uso. Para Jared Benge, a tecnologia pode aliviar carga mental e permitir foco em tarefas mais relevantes, mas é necessário usar as ferramentas de forma consciente para manter a prática do pensamento crítico e a criatividade humana.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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