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segunda-feira, setembro 21, 2026

Pesquisas mostram preocupação global sobre efeitos da inteligência artificial no emprego

Preocupação global — Pesquisas recentes mostram que a apreensão sobre a possibilidade de a inteligência artificial (IA) reduzir o número de empregos está presente em diferentes países e setores, e que os impactos podem aparecer de forma gradual, especialmente entre jovens que ingressam no mercado de trabalho e na maneira como empresas implantam e controlam essas tecnologias.

Uma sondagem do Pew Research em 37 países indicou que, em 34 deles, a maioria dos entrevistados considera mais provável que a IA diminua o total de empregos nos próximos 20 anos do que gere novas vagas. Na mediana dos países analisados, 46% acreditam em menos empregos por causa da tecnologia, 9% esperam aumento de oportunidades e cerca de 25% disseram não saber o que esperar.

O pessimismo foi mais intenso em nações ricas: Austrália e Coreia do Sul registraram 76% dos entrevistados prevendo redução de vagas; nos Estados Unidos o percentual foi de 71%. Sobre desigualdade, mais pessoas creem que a IA ampliará a diferença entre ricos e pobres do que reduzirá essa lacuna.

Apesar da preocupação, a relação com a tecnologia não é uniformemente negativa. Na mediana global, 41% dos pesquisados disseram estar igualmente preocupados e animados com o uso cotidiano da IA; 37% estão principalmente preocupados e 13% principalmente animados.

Impacto em jovens e contratações — Um estudo revisado do Stanford Digital Economy Lab, que utilizou dados de folha de pagamento da ADP com milhões de trabalhadores dos EUA até junho de 2026, apontou sinais mais fortes de impacto entre profissionais jovens. Segundo os autores, o emprego de pessoas de 22 a 25 anos em ocupações muito expostas à IA está 19% abaixo do esperado, na comparação com jovens em funções menos expostas.

Os pesquisadores enfatizam que o resultado não significa que 19% desses trabalhadores perderam seus empregos devido à IA e que os dados não comprovam causalidade, pois outros fatores econômicos podem ter influenciado os números. O padrão observado parece refletir redução nas contratações mais do que aumento massivo de demissões; entre trabalhadores mais experientes não foi verificada diferença semelhante e, em algumas funções, o emprego se manteve ou cresceu.

Tarefas e disposição para delegar — Outro levantamento do Stanford SALT Lab examinou como agentes de IA podem alterar o trabalho de cerca de 70 milhões de pessoas nos EUA. Os pesquisadores ouviram 1.500 profissionais de 104 ocupações e avaliaram 844 tarefas. Em 46,1% dessas tarefas, os participantes avaliaram positivamente a possibilidade de automação, especialmente quando isso poderia liberar tempo para atividades consideradas mais relevantes.

O estudo diferenciou a capacidade da IA de executar uma tarefa da vontade dos trabalhadores de delegá‑la à máquina, identificando preferência por modelos de parceria humano-IA em muitas ocupações, em vez de transferência completa do trabalho.

Os pesquisadores também apontaram mudança na importância relativa de habilidades: tarefas de processamento de informações, como atualização de conhecimentos e análise de dados, podem perder espaço proporcionalmente, enquanto atividades envolvendo coordenação, interação e tomada de decisão tendem a exigir mais participação humana.

Uso corporativo e ‘shadow AI’ — Uma pesquisa da Deloitte UK com 25 mil trabalhadores revelou que o uso de ferramentas de IA nas empresas nem sempre é oficial. Segundo o levantamento, 63% dos profissionais usam IA generativa no trabalho e quase um quarto o faz diariamente; entre esses, 31% afirmam utilizar IA sem que o empregador saiba, prática conhecida como shadow AI.

O estudo da Deloitte também mostrou que 49% dos trabalhadores não receberam treinamento formal para usar IA com segurança e eficácia, o que pode aumentar o risco de envio inadvertido de informações internas a serviços externos. Para empresas, os dados indicam que somente liberar ou bloquear ferramentas pode ser insuficiente; também é necessário identificar onde a tecnologia é usada e quais tarefas realmente se beneficiam dela.

Os diferentes levantamentos ajudam a explicar por que a IA provoca apreensão em várias partes do mundo: quando a tecnologia é vista como ameaça ao emprego e à renda familiar, seus benefícios potenciais podem não ser suficientes para reduzir o receio. Além disso, declarações de executivos do setor sobre possibilidades de substituição de profissões e revoluções industriais contribuíram para ampliar dúvidas sobre o futuro do trabalho.

Com informações de Uberlandianofoco

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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