Transmissão: Band Horário: 7h26 (Brasília UTC-3)
Preço do petróleo registra forte queda após declaração de Donald Trump
O preço do petróleo recuou abaixo de US$ 100 por barril nesta quarta-feira (8), na esteira do anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de um cessar‑fogo de duas semanas com o Irã condicionado à reabertura imediata e segura do Estreito de Ormuz. Por volta das 7h26 (Brasília), os contratos futuros do Brent caíam 13,7%, para US$ 94,26 o barril, enquanto o indicador WTI registrava queda de 16%, a US$ 94,80 o barril.
O recuo atingiu também os derivados: o diesel referência na Europa caiu US$ 271,50, uma queda de 17,8%, para US$ 1.256,25 por tonelada métrica.
A reviravolta na postura de Trump ocorreu pouco antes do término do prazo que ele havia dado ao Irã para garantir a passagem pelo Estreito de Ormuz — rota por onde circula cerca de 20% do petróleo mundial — sob risco de ataques generalizados à infraestrutura civil iraniana. Em publicações nas redes sociais, o presidente afirmou: “Este será um CESSAR‑FOGO de dois lados!”, após ter escrito mais cedo que “uma civilização inteira morrerá esta noite” caso suas exigências não fossem atendidas.
Do lado iraniano, o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, declarou que Teerã interromperia seus ataques se as ações contra o país cessassem e que a passagem segura pelo Estreito seria possível por duas semanas em coordenação com as forças armadas iranianas.
Analistas consultados pelo mercado destacaram que volumes de petróleo ficaram represados atrás do Estreito e poderiam ser liberados gradualmente. Tamas Varga, da corretora PVM Oil, afirmou que “em teoria, os 10 a 13 (milhões de barris por dia) de oferta de petróleo bruto e derivados retidos atrás do Estreito deveriam agora ser liberados gradualmente”, mas ressaltou que a restauração do status quo anterior a março dependerá de a trégua evoluir para um acordo permanente nas negociações no Paquistão.
Autoridades de vários países do Golfo Pérsico registraram lançamentos de mísseis e ataques de drones, além de emitir alertas para que civis buscassem abrigo. Saul Kavonic, analista da MST Marquee, afirmou que, mesmo com um acordo, o Irã pode se sentir mais à vontade para ameaçar o Estreito de Ormuz no futuro, e que o mercado passará a precificar esse risco adicional.
Especialistas lembraram que a guerra envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã provocou, em março, o maior aumento mensal registrado no preço do petróleo, superior a 50%.
O petroleiro Anatoly Kolodkin, de bandeira russa, manobrou após chegar a Cuba com carregamento de petróleo em 31 de março de 2026, segundo imagens divulgadas por agências internacionais.
Os desdobramentos da trégua temporária e sua transformação em uma solução duradoura serão observados de perto pelos mercados e pelas partes envolvidas.
Com informações de G1




