A Polícia Federal identificou prática de gestão fraudulenta por parte de ex-dirigentes do Banco Regional de Brasília (BRB) nas aquisições de carteiras do Banco Master, que totalizaram R$ 17,5 bilhões, segundo laudo pericial divulgado após o levantamento do sigilo do documento na noite de quinta-feira (10) pelo ministro André Mendonça, no âmbito das investigações que correm no Supremo Tribunal Federal (STF).
O relatório da PF indica que o BRB possuía informações prudenciais, financeiras e reputacionais relevantes sobre o Banco Master incorporadas em seu ambiente informacional, mas esses elementos não foram considerados no processo decisório. A perícia afirma que há evidências de manipulação da sequência de governança, formalização retroativa de controles, burlas ao regime de alçadas e continuidade das operações apesar de alertas de risco.
Embora os peritos tenham examinado operações que somam R$ 47,8 bilhões no conjunto, a conclusão sobre gestão fraudulenta foi concentrada em 25 aquisições aprovadas pela diretoria colegiada do BRB, que juntas alcançaram R$ 17,5 bilhões. Entre as irregularidades destacadas estão a ausência de uma due diligence estruturada sobre o Master, mesmo diante de advertências internas e externas a respeito de riscos de liquidez, capital e do modelo de negócios da instituição adquirida.
O laudo aponta 22 operações, totalizando R$ 7,63 bilhões, em que os pareceres técnicos só foram emitidos após a realização dos pagamentos, inversionando o rito normal de controles internos. Também foi identificada prática de fracionamento das transações, mantendo os valores sucessivamente no limite de R$ 750 milhões para evitar a análise consolidada pelo conselho de administração.
A perícia concluiu que o BRB concentrou parcela relevante de sua exposição em uma única contraparte, o Banco Master, aumentando o risco institucional. Relatórios internos assinalavam riscos de liquidez, necessidade de capitalização e potenciais desenquadramentos prudenciais decorrentes das compras de carteiras, mas as aquisições seguiram sendo aprovadas.
A perícia da Polícia Federal vinculou seis ex-integrantes da diretoria colegiada às aprovações das carteiras do Master, apontando que os dirigentes presentes nas reuniões ficaram documentalmente vinculados às decisões aprovadas por unanimidade. Os nomes e cargos citados no laudo são: Paulo Henrique Bezerra Rodrigues Costa — Presidente; Cristiane Maria Lima Bukowitz — Diretora Executiva de Gestão de Pessoas; Dario Oswaldo Garcia Junior — Diretor Executivo de Finanças e Controladoria; Luana de Andrade Ribeiro — Diretora Executiva de Controle e Riscos; Diogo Ilário de Araújo Oliveira — Diretor Executivo de Atacado e Governo; e José Maria Correa Dias Junior — Diretor Executivo de Tecnologia.
O documento ressalta que esses diretores participaram de deliberações sobre a continuidade das operações, novas aquisições, flexibilização de alertas de risco e complementação posterior de documentos. O diretor jurídico Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo não foi vinculado às aprovações porque, conforme as atas analisadas, não tinha direito a voto ou estava ausente nas deliberações.
O laudo da Polícia Federal integra as apurações sobre as operações do Banco Master que tramitam no STF e detalha os elementos técnicos que embasaram a conclusão sobre a ocorrência de gestão fraudulenta nas aquisições realizadas pelo BRB.
Com informações de G1




