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quinta-feira, setembro 10, 2026

PF deflagra Operação Make Up e mira Mário Frias por suspeita de desvio em financiamento de Dark Horse

Nesta quinta-feira (10), a Polícia Federal lançou a Operação Make Up para investigar o financiamento do filme Dark Horse, centrado na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. Entre os alvos está o deputado federal e ex-secretário da Cultura do governo Bolsonaro, Mário Frias (PL-SP), apontado pela investigação como possível destinatário irregular de R$ 2 milhões em emendas parlamentares.

A ação, realizada em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU), cumpriu 49 mandados de busca e apreensão contra 22 pessoas nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza (CE) e no Distrito Federal. A produtora responsável pelo filme, Karina Gama, também foi alvo dos mandados. A operação não incluiu prisões e teve como foco apurar a origem dos recursos e as transferências realizadas na produção.

Alvos da investigação e medidas do STF

A deflagração da operação ocorreu com autorização do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). Em decisão ligada ao inquérito, Dino proibiu Mário Frias e outros 28 investigados de deixarem o país sem autorização do STF e determinou a entrega dos passaportes à Polícia Federal. O ministro também impôs restrição de contato entre os investigados, com o objetivo de evitar combinação de versões, ocultação ou destruição de provas.

Suspeita sobre emendas e fluxo de recursos

A investigação da PF apura se recursos de emendas de Mário Frias teriam sido direcionados a empresas ligadas à Go Up Entertainment, produtora de Dark Horse. Relatórios da CGU apontaram irregularidades na destinação de emendas a duas entidades registradas em nome de Karina Gama — o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Academia Nacional de Cultura (ANC). As emendas teriam sido formalmente destinadas a projetos sociais esportivos do ICB em Pirassununga (SP), sem comprovação de aplicação dos recursos na finalidade prevista.

Segundo a PF, o fluxo identificado começa com R$ 2 milhões em emendas ao ICB. A apuração registra pagamentos de R$ 700 mil a duas empresas, R$ 750 mil repassados à Go Up e R$ 645,4 mil transferidos diretamente por Frias à produtora. Considerando transferências dele e da NTT Brasil, os recursos destinados à Go Up somariam quase R$ 1,4 milhão.

Movimentações coincidindo com as filmagens

Entre os recebimentos apontados estão R$ 750 mil da NTT Brasil e transferências atribuídas a Mário Frias. Nos pagamentos, a PF destaca R$ 906,8 mil ao Hotel Unique, R$ 653,2 mil à Foodflix Alimentação e repasses a outras duas empresas do setor audiovisual. A autoridade policial ressaltou a coincidência temporal entre as movimentações e as filmagens, sem, contudo, afirmar que os pagamentos tiveram origem em emendas ou que foram destinados exclusivamente à produção do filme.

A Polícia Federal também assinalou que as tentativas de ocultação dos supostos desvios teriam continuado até julho deste ano, dois meses após a divulgação da ligação entre Dark Horse e Daniel Vorcaro, alvo de reportagens do The Intercept Brasil em maio que mencionaram possível financiamento de Vorcaro e contratos irregulares com a Prefeitura de São Paulo. No STF correm duas apurações relacionadas ao financiamento do filme: a relatoria do ministro Flávio Dino sobre uso de recursos públicos e outra sob responsabilidade do ministro André Mendonça, que investiga repasses feitos pelo ex-controlador do Banco Master.

A investigação aponta indícios de atuação de organização criminosa formada por agentes públicos e privados, com repasses a empresas subcontratadas sem comprovação da prestação de serviços. As apurações buscam esclarecer possíveis crimes de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e irregularidades em processos de licitação.

O caso segue em andamento, com diligências para levantar provas sobre a origem e a destinação dos recursos relacionados à produção de Dark Horse.

Com informações de Paranaibamais

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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