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domingo, novembro 1, 2026

PIX e Zelle: diferenças entre os sistemas de pagamento do Brasil e dos EUA

O Zelle, serviço de pagamentos dos Estados Unidos, ficou entre os temas mais comentados nas redes sociais na quinta-feira (4), após declaração do ex-deputado Eduardo Bolsonaro em entrevista à rádio TMC em que comparou o sistema americano ao PIX. A menção surge em meio a críticas do governo Donald Trump ao modelo brasileiro, que acusou o país de favorecer o PIX em detrimento de empresas dos EUA.

Natureza pública e privada

O PIX é um sistema público de pagamentos instantâneos criado e lançado pelo Banco Central do Brasil em 2020. Além de ter desenvolvido a ferramenta, o BC é responsável pela regulação e pela infraestrutura tecnológica que permite o funcionamento do sistema.

O Zelle — cuja pronúncia é “Zell” — é uma iniciativa privada lançada em 2017 pela Early Warning Services, empresa de tecnologia financeira controlada por grandes bancos norte‑americanos, entre eles Bank of America, Capital One, JPMorgan Chase, PNC Bank, Truist, U.S. Bank e Wells Fargo.

Alcance e integração

Ambos os sistemas ainda operam basicamente entre contas domésticas. O Banco Central estuda viabilizar transferências diretas do PIX para contas no exterior, mas, por ora, tanto o sistema brasileiro quanto o americano permanecem restritos a operações entre contas nacionais.

A distinção central está no grau de integração: o PIX está disponível a qualquer banco, fintech ou instituição financeira autorizada pelo Banco Central; o Zelle só pode ser usado nas instituições participantes do consórcio da Early Warning. Segundo dados oficiais, o Zelle está presente em mais de 2.400 aplicativos de bancos e cooperativas de crédito.

Uso cotidiano e custos

O Zelle é focado, sobretudo, em transferências entre pessoas e em transações de pequenas empresas. O PIX, além de transferências entre pessoas, é utilizado para pagamentos em estabelecimentos comerciais e prestadores de serviços, para transações entre empresas, para recolhimento de receitas públicas e contribuições, e para pagamento de cobranças e faturas, como contas de serviços públicos.

Para pessoas físicas, o PIX é gratuito e tende a ter custo inferior para empresas. No caso do Zelle, a gratuidade depende das tarifas aplicadas por cada banco ou cooperativa; pesquisa do terceiro trimestre do ano passado indicou que “quase todos” os bancos e cooperativas que oferecem o serviço não cobram tarifas dos consumidores.

Quanto à velocidade, o PIX é instantâneo; o Zelle pode levar alguns minutos para que o valor fique disponível ao destinatário.

Cancelamento e devolução

O site oficial do Zelle informa que um pagamento só pode ser cancelado se o destinatário ainda não estiver cadastrado na plataforma. Se o beneficiário já estiver registrado, o dinheiro é encaminhado à conta bancária dele e não pode ser cancelado.

O PIX dispõe do Mecanismo Especial de Devolução (MED), empregado para auxiliar vítimas de fraude, mas o Banco Central ressalta que a ferramenta não garante ressarcimento. A recuperação depende da análise de cada caso e da existência de saldo na conta do recebedor ou de outros envolvidos na fraude. Para transferências feitas por engano, não há normas específicas do Banco Central ou do Conselho Monetário Nacional sobre devolução; o BC lembra que o Código Penal trata da apropriação indevida e orienta os consumidores a procurar o banco para tentar reaver os valores. Além disso, o PIX tem funcionalidade que permite ao recebedor devolver quantias enviadas por engano diretamente pelo aplicativo do banco.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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