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segunda-feira, outubro 12, 2026

Plataforma Sentinela registra 13 mil comentários ofensivos direcionados a candidaturas LGBT+ desde início do período eleitoral

Levantamento aponta padrão de violência e coordenação

A plataforma Sentinela, desenvolvida pelo Instituto Plena Cidadania (IPC) — responsável pelo VoteLGBT — identificou a publicação de 13 mil comentários ofensivos com alvo definido contra candidaturas LGBT+ desde o início do período eleitoral. As mensagens incluídas no total foram dirigidas a uma pessoa ou candidatura identificável.

Para chegar ao número, a ferramenta selecionou 307.185 comentários em contas de candidaturas que apresentaram potencial de violência e que puderam ser monitoradas. Esse volume faz parte de um conjunto superior a 1 milhão de interações publicadas no Instagram.

Cada comentário foi avaliado segundo quatro dimensões: existência de violência, identificação do alvo, presença de componente LGBTfóbico e incidência direta desse componente sobre a candidatura monitorada. Também foram observados padrões de recorrência e indícios de atuação coordenada entre perfis.

A metodologia combina coleta automatizada, classificação e inteligência artificial generativa. O sistema foi desenvolvido pelo IPC, organização da sociedade civil dedicada ao desenvolvimento de infraestrutura democrática no Brasil.

O estudo constatou que parte dos ataques se repete: foram identificadas mais de 11 mil contas distintas envolvidas nas agressões. Dessas, 224 perfis mais ativos responderam por 1.718 comentários, apontando concentração das ações em determinados usuários.

Segundo a direcção executiva do IPC, quando a mesma mensagem é repetida por dezenas de contas em curto intervalo — caso verificado contra uma candidatura de Goiás, com 63 contas replicando o mesmo texto — há forte indício de coordenação, que pode envolver ações humanas ou automatizadas.

A Sentinela adota critérios conservadores para evitar falsos positivos, avaliando além da mera presença de palavras ou expressões; em contextos ambíguos, o comentário não é contabilizado.

De acordo com Alciana Paulino, líder de inteligência do IPC, a ferramenta permite detectar violência em escala e velocidade incompatíveis com monitoramento manual. O objetivo declarado é identificar agressões, mapear padrões e produzir dados que contribuam para proteger candidaturas.

Até o momento, 92,7% das agressões registradas foram direcionadas a candidaturas de mulheres LGBT+, e 83,6% tiveram como alvo candidaturas negras LGBT+.

Em 23 de setembro, o Instituto Plena Cidadania protocolou uma notícia-crime na Justiça Eleitoral contra três candidatos a deputado federal, acusados de ataques discriminatórios a deputadas federais candidatas à reeleição, com mensagens que buscavam desqualificar as parlamentares pela identidade de gênero.

A Sentinela também recebe capturas de tela enviadas por lideranças políticas com mensagens recebidas por inbox ou e-mail e mantém um canal para relato de outros episódios de violência. Segundo o IPC, os ataques mais graves, incluindo ameaças de estupro coletivo e de morte, costumam chegar por e-mail e inbox, muitas vezes vindos de provedores em países sem acordo de cooperação com o Brasil, o que dificulta a identificação dos autores pela Polícia Federal.

Além do monitoramento, a plataforma oferece atendimento psicológico gratuito e sigiloso pelo canal Cuida Mais para candidaturas e equipes que sofram ataques; após cadastro, os dados são anonimizados e o serviço é prestado por uma clínica formada por profissionais LGBT+ treinados para atuar no contexto político.

O monitoramento da Sentinela está sendo ampliado para outros países e preparado para diferentes ciclos eleitorais; há negociações para levar a ferramenta à Argentina e ao México em 2027, com o propósito de identificar e enfrentar violência política na América Latina.

Com informações de Uberlandianofoco

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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