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quinta-feira, novembro 5, 2026

Polícia Federal recuperou mensagens de visualização única de Vorcaro enviadas a Alexandre de Moraes

Parte das mensagens que o empresário Daniel Vorcaro enviou ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em modo de visualização única foram recuperadas pela Polícia Federal, segundo relatório cujo sigilo foi levantado pelo ministro André Mendonça. As mensagens foram enviadas em 17 de novembro de 2025, um dia antes de Vorcaro ser preso e ter o celular apreendido na Operação Compliance Zero.

De acordo com o documento da PF, cinco mensagens em visualização única foram enviadas naquela data. Embora o recurso de visualização única impeça que o conteúdo permaneça disponível na conversa, a polícia conseguiu identificar e recuperar o material por outros rastros deixados no aparelho, usando programas de extração e análise forense.

O relatório explica que Vorcaro manteve diversas outras interações pelo aplicativo que não usavam o modo de visualização única, e essas conversas também foram examinadas. Para driblar a impossibilidade de enviar textos em modo de visualização única no WhatsApp, Vorcaro teria redigido as mensagens no aplicativo Notas do iPhone, feito capturas de tela e encaminhado as imagens ao contato salvo como “Alexandre de Moraes BRASILIA”.

A PF ressaltou que cada captura de tela gerou arquivos temporários no dispositivo. Ao comparar os horários de geração desses arquivos com os registros de envio no WhatsApp, os peritos conseguiram identificar o conteúdo das mensagens enviadas como imagens.

Ferramentas e explicações técnicas

Segundo o relatório, a Polícia Federal utilizou o software israelense Cellebrite para acessar e tratar os dados extraídos do celular de Vorcaro. O programa, de uso restrito, permite acessar dados de iPhones e aparelhos Android mesmo quando estão bloqueados. O documento também cita o GrayKey como equivalente americano com funções semelhantes, amplamente empregado em investigações.

Além disso, a PF aplicou o IPED (Indexador e Processador de Evidências Digitais), ferramenta desenvolvida por peritos da corporação em 2012. O IPED faz varredura no material extraído de celulares, identifica imagens e converte textos nelas contidos em dados pesquisáveis, o que facilita a localização de termos, padrões como CPF e valores e a correlação entre registros.

Especialistas ouvidos em reportagens anteriores destacaram que a estratégia de enviar capturas pode, na prática, deixar vestígios mais fáceis de recuperar do que a própria conversa. Peritos também observam que, embora o WhatsApp adote criptografia de ponta a ponta desde 2016, as mensagens ficam legíveis nos aparelhos quando são descriptografadas, permitindo a recuperação por autoridades que detenham o dispositivo.

O relatório da Polícia Federal detalha, portanto, como as imagens encaminhadas como modo de visualização única puderam ser identificadas e associadas aos registros de envio no WhatsApp, possibilitando a recuperação do conteúdo pelo trabalho pericial.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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