Antes mesmo da ida às urnas em 4 de outubro de 2026, a disputa presidencial já provocava oscilações nos mercados financeiros. Desde o início do ano, movimentos no dólar, na bolsa e nas taxas de juros foram atribuídos a declarações de candidatos e à divulgação de pesquisas eleitorais, porque investidores tentam antecipar como cada cenário eleitoral afetará a economia.
Reação imediata ao resultado do 1º turno
Na segunda-feira, 5 de outubro, após a apuração apontar Flávio Bolsonaro (PL) à frente com 47,03% dos votos válidos contra 45,16% de Lula (PT), o câmbio recuou mais de 4%, fechando a R$ 5 — o menor nível desde maio — e o Ibovespa subiu 7,70%, fechando em 206.912 pontos, recorde histórico. Essas variações refletem mudanças nas probabilidades atribuídas pelo mercado aos diferentes rumos das políticas econômicas.
O que o mercado antecipa
Segundo Rogerio Freitas, chefe de investimentos do ASA, “os preços refletem expectativas sobre crescimento, inflação, juros e, no Brasil, sobretudo a trajetória fiscal”. Para ele, a incerteza gerada pelas eleições altera constantemente essas expectativas, de modo que cada pesquisa ou declaração ajusta as probabilidades de cenários econômicos distintos.
Os efeitos políticos aparecem de maneiras distintas: a bolsa reage às projeções de desempenho econômico e de resultados das empresas; o dólar varia conforme a percepção de risco e o fluxo de capitais para dentro e fora do país. Um exemplo recente foi o anúncio de reajuste do Bolsa Família pelo governo Lula, 17 dias antes das eleições, que provocou desvalorização do real e queda do Ibovespa para cerca de 185 mil pontos devido a preocupações com o impacto fiscal.
Exemplos de reação a pesquisas
Pesquisas divulgadas nos meses anteriores também influenciaram os mercados. Em 10 de setembro, quando levantamento mostrou Flávio Bolsonaro numericamente à frente em uma eventual disputa de segundo turno, o dólar teve queda de 0,18%, para R$ 5,1026, e o Ibovespa subiu 1,42%, chegando a 188.268 pontos. No mercado financeiro, uma vitória de Flávio era vista como possivelmente mais favorável ao equilíbrio das contas públicas, o que reduziria as taxas de juros futuras e atrairia mais investimentos para o país.
Volatilidade política e outros fatores
Freitas afirma que a volatilidade tende a aumentar próximo às eleições, porém os primeiros atos de um eleito costumam ter impacto maior do que o discurso de campanha, e cada processo eleitoral deve ser analisado em seu contexto. Alvaro Maia, banker da StoneX, lembra que o noticiário político fora do período eleitoral também pode mexer nos mercados quando as notícias afetam inflação, juros ou atividade econômica. Ele cita o exemplo do Mensalão (2006), que teve grande repercussão política, mas impacto limitado sobre os mercados devido a fatores externos favoráveis naquele momento, como maior liquidez internacional e alta das commodities.
Recomendações para investidores
Em momentos de maior volatilidade, analistas recomendam que investidores privilegiem a renda fixa para reduzir riscos, especialmente enquanto as taxas de juros estiverem em dois dígitos. Entre as opções citadas estão títulos públicos prefixados e fundos de renda fixa. Para quem pretende manter exposição em ações, a orientação é não basear decisões exclusivamente em pesquisas eleitorais ou em apostas sobre o resultado das urnas, mas preservar uma estratégia de longo prazo e ajustar carteiras com calma.
Freitas destaca a importância da diversificação, inclusive internacional, e de manter uma reserva de liquidez para evitar vendas compulsórias de ativos em períodos de queda. Também é fundamental adequar a composição da carteira ao perfil e à tolerância ao risco de cada investidor: perfis conservadores tendem a concentrar mais recursos em aplicações menos voláteis, enquanto investidores dispostos a assumir maior risco podem ter participação maior em ações.
Essas orientações visam ajudar os investidores a atravessar períodos de incerteza sem comprometer seus objetivos financeiros.
Com informações de G1




