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sexta-feira, outubro 16, 2026

Postos e distribuidoras aumentam margens de lucro do diesel após início da guerra no Irã

Distribuidoras e postos de combustíveis elevaram significativamente suas margens de lucro desde o início da guerra no Irã, em 28 de fevereiro, segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Estudos Políticos e Sociais (Ibeps).

O estudo, com base em dados do Ministério de Minas e Energia (MME) contidos no Relatório Mensal do Mercado de Derivados de Petróleo, aponta aumentos médios superiores a 30% nas margens de revenda para produtos como diesel S-10, diesel S-500 e gasolina comum nas semanas seguintes ao começo do conflito.

Entre os avanços mais expressivos, o diesel S-500 — utilizado por veículos mais antigos — registrou alta de 71,6% nas margens no período considerado. O diesel S-10, consumido por veículos mais novos, teve acréscimo de 45%. A margem sobre a gasolina comum subiu 32,2%.

O levantamento também compara o cenário atual com 2021 e mostra aumentos ainda maiores ao longo do tempo: 238,8% de alta das margens no diesel S-500, 111,8% no diesel S-10 e 90,7% na gasolina comum desde 2021.

Segundo o economista do Ibeps Eric Gil Dantas, dois fatores explicam a tendência de elevação das margens. O primeiro foi o aumento acentuado dos preços entre 2021 e 2022, período em que os derivados chegaram aos maiores valores reais já registrados no país, em parte pela política de Preço de Paridade de Importação (PPI) da Petrobras, que ampliou a volatilidade dos preços. O segundo fator, de acordo com Dantas, foi a venda da BR Distribuidora e da Liquigás, estatais que, quando públicas, ajudavam a conter a formação de margens em um mercado concentrado.

Em reação ao aumento do preço do petróleo e aos efeitos do conflito no Oriente Médio, o governo anunciou medidas como isenção de impostos federais sobre o diesel, elevação do imposto de exportação sobre o petróleo, concessão de subvenção a produtores e importadores e ações de fiscalização para verificar o repasse das medidas aos consumidores.

A Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e Lubrificantes (Fecombustíveis) não se manifestou até a publicação da reportagem. A Associação das Distribuidoras de Combustíveis (Brasilcom) informou que não comenta a formação de preços, por ser estratégia de cada associada.

Desde o início da guerra entre Estados Unidos e Irã, o barril de petróleo ultrapassou US$ 100, alcançando o maior patamar desde fevereiro de 2022, quando eclodiu o conflito entre Rússia e Ucrânia. A elevação reflete, em parte, a redução do fluxo no Estreito de Ormuz, por onde passam cerca de 20% do petróleo global.

O encarecimento do petróleo impacta diretamente os preços dos derivados e tem efeitos sobre a logística — com aumento do custo do frete e reflexos nos preços dos alimentos e de bens industriais —, no agronegócio, pela elevação do custo de operação de máquinas e fertilizantes, e na geração térmica de energia.

Levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) indicou que o preço médio do litro do diesel nos postos brasileiros subiu quase 20% em cerca de 15 dias; esse número seria atualizado pela agência na sexta-feira (27). Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) apontam que, em janeiro, adubos e fertilizantes químicos representaram 93,5% do total importado pelo Brasil do Irã.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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