21.6 C
Uberlândia
sábado, outubro 17, 2026

Professores em Uberlândia apontam desafios de ensino diante de mudanças sociais e tecnológicas

Uberlândia — Professores ouvidos na semana do Dia dos Professores relataram que as transformações sociais e tecnológicas tornaram o processo de ensino mais complexo, exigindo além do domínio do conteúdo habilidades de escuta, inteligência emocional e constante adaptação.

Na rede pública municipal, a realidade da escola reflete problemas sociais que chegam ao ambiente escolar, como violência, desigualdades e vulnerabilidade familiar, segundo a professora Luzeni Cruz, que leciona no Ensino Fundamental e na Educação de Jovens e Adultos (EJA). Ela também cita o uso excessivo de celulares e a influência das redes sociais como fatores que reduzem a capacidade de atenção dos alunos.

“A escola pública é muito sobrecarregada, porque os problemas da sociedade acabam desaguando nela: as violências, as desigualdades sociais e a vulnerabilidade das famílias. Além disso, disputar a atenção dos jovens com o uso excessivo dos celulares e a influência das redes sociais em um mundo de estímulos tão rápidos não é simples”, afirma Luzeni.

A professora afirma que, apesar do desinteresse apontado entre alguns estudantes, acolher e ouvir é tão importante quanto transmitir conteúdos. Ela cita como motivação um caso de sucesso: uma ex-aluna da EJA que concluiu a Educação Básica, ingressou em uma universidade e tornou-se a primeira da família a cursar o Ensino Superior.

Luzeni destaca também que o trabalho com adultos requer reconhecer os saberes trazidos pelas trajetórias profissionais e familiares desses estudantes, articulando o conteúdo acadêmico com suas experiências de vida.

No Ensino Superior e na Pós-Graduação, o professor Leo Veloso, que atuou como executivo e gestor em grandes empresas antes de migrar para a docência, observa que a velocidade das mudanças na sociedade e na forma de consumir informação supera a evolução dos modelos tradicionais de ensino.

“A maior dificuldade do professor hoje é a mudança. A sociedade mudou bastante, a forma de consumo de informação mudou. Mas a profissão do professor ficou um pouco estagnada. Essa transição exige adaptações às novas gerações e aos formatos de aprendizado que a sociedade cobra”, diz Veloso.

Veloso defende a adoção de metodologias ativas, como aprendizagem baseada em projetos, para manter o engajamento de estudantes que têm amplo acesso à informação pela internet e para promover formação ética e senso coletivo.

Ambos os educadores concordam que a responsabilidade pela aprendizagem não pode ficar restrita ao professor individualmente nem ao tempo em que os alunos estão em sala. No segmento básico, eles apontam prioridades como melhoria da infraestrutura, suporte multiprofissional, redução do número de alunos por turma e valorização salarial. No Ensino Superior, cobram revisão das políticas públicas de formação continuada desde a graduação, com foco em preparar docentes para usar ferramentas pedagógicas contemporâneas e mediar o desenvolvimento do pensamento crítico.

Os relatos mostram que, para enfrentar as mudanças na educação, são necessárias medidas que ataquem desigualdades, valorizem profissionais da educação, garantam formação continuada e incentivem práticas didáticas alinhadas às necessidades reais dos estudantes. Ensinar segue exigindo adaptação, conhecimento e atenção às pessoas por trás de cada aluno.

Com informações de Uberlandianofoco

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
Últimas Notícias
Veja também