22.1 C
Uberlândia
sábado, setembro 19, 2026

Quase

Uma pesquisa nacional da Heach Recursos Humanos identificou que 48,6% dos profissionais entrevistados já fingiram estar ocupados para evitar receber novas demandas no trabalho. O levantamento ouviu 2.487 profissionais de diversos segmentos e avaliou oito comportamentos relacionados à produtividade, procura por oportunidades e uso do tempo durante o expediente.

Segundo os dados, 86,5% dos participantes admitiram ter adotado pelo menos um dos comportamentos analisados, muitos dos quais podem passar despercebidos pelas empresas. O comportamento mais relatado foi a busca por outro emprego sem comunicar a organização atual: 69,4% dos entrevistados informaram já ter procurado vaga de forma discreta.

Outros resultados do levantamento apontaram que 66,8% dos participantes já resolveram assuntos pessoais durante o horário de trabalho e 54,7% chegaram a participar de entrevistas para outras vagas no expediente. Quanto a uso do tempo, 51,2% disseram ter afirmado estarem trabalhando enquanto realizavam atividade pessoal, e os 48,6% citados inicialmente relataram fingir estar ocupados para não receber mais tarefas.

A pesquisa também mostrou que 39,7% dos entrevistados já inventaram ou exageraram uma justificativa para atraso ou ausência; 33,6% afirmaram ter utilizado atestado médico mesmo acreditando estar aptos a trabalhar; e 29,4% admitiram ter omitido, exagerado ou apresentado informação incorreta no currículo.

O levantamento, intitulado “A Vida Secreta do Trabalhador Brasileiro”, destaca a existência de comportamentos que normalmente não aparecem em indicadores tradicionais usados pelas empresas. Para Elcio Teixeira, CEO da Heach, os resultados devem ser interpretados com distinções entre tipos de conduta: “Não podemos colocar no mesmo lugar alguém que procura outra oportunidade profissional e alguém que falseia uma informação no currículo. São fenômenos completamente diferentes”, afirma.

Teixeira acrescenta que os resultados evidenciam uma diferença entre o que as organizações conseguem acompanhar por meio de sistemas e o que ocorre na rotina dos trabalhadores. Ele observa que quando 86,5% dos profissionais reconhecem pelo menos um comportamento fora do radar, a dimensão dessa zona invisível na relação de trabalho se torna relevante.

O especialista em cultura organizacional Louis Burlamaqui avaliou que a frequência desses comportamentos chama atenção e pode indicar uma distância entre o que o trabalhador vive e o que sente que pode revelar à empresa. Ele destacou a percepção de sobrecarga velada, ao observar que quase metade dos profissionais já aparentou estar ocupada para não receber novas demandas.

Em relação à metodologia, a pesquisa foi aplicada entre 1º e 11 de setembro de 2026 a profissionais das cinco regiões do país. Os participantes foram selecionados a partir da base da Heach Recursos Humanos, que reúne mais de 14 milhões de currículos, e responderam a um questionário estruturado e autoadministrado em ambiente digital. A amostra buscou contemplar diferenças de idade, escolaridade, região, nível hierárquico e modelo de trabalho.

Os resultados referem-se apenas aos participantes do levantamento e a Heach alerta que a amostra foi formada a partir da própria base da empresa, o que deve ser considerado na interpretação dos dados.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
Últimas Notícias
Veja também