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domingo, novembro 8, 2026

Recuperações judiciais expõem fragilidades do varejo enquanto concorrentes digitais ampliam participação

Pedidos de recuperação judicial aprofundam ajuste no setor

Os anúncios de pedido de recuperação judicial da Casas Bahia e da Marabraz, divulgados no último domingo (16), evidenciam dificuldades em parte do varejo brasileiro, sobretudo entre empresas que atendem consumidores de renda média e baixa. As companhias enfrentam pressão para honrar dívidas e gerar caixa em um ambiente marcado por juros altos, crédito mais caro, endividamento das famílias e consumo enfraquecido.

Especialistas ouvidos pelo G1 dizem que o cenário obriga mudanças estruturais no setor, como revisão de operações, fechamento de lojas e reorientação estratégica para preservar competitividade. Ao mesmo tempo, empresas com gestão financeira e operacional sólida veem oportunidade para ganhar participação de mercado à medida que concorrentes mais fragilizados recuam.

Para Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos, não se trata de uma crise generalizada do varejo, mas de uma seleção de empresas. Segundo ela, as maiores vulnerabilidades concentram-se em companhias com elevado endividamento, margens apertadas, necessidade intensa de capital de giro e estruturas operacionais mais caras.

Varejistas dependem fortemente de crédito para financiar estoques, operações e expansão, além de precisarem do poder de compra e do acesso ao parcelamento pelos consumidores. Casos como Casas Bahia, Marabraz e Grupo Toky (Tok&Stok e Mobly) ilustram o impacto do crédito mais restrito e do menor consumo. Nomes como Ricardo Eletro, Americanas, Casa & Video, Le Biscuit, MMartan, Artex, Saraiva e Livraria Cultura também passaram por recuperações judiciais, falências ou reestruturações financeiras nos últimos anos.

Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, aponta um movimento de consolidação do comércio eletrônico — com empresas como Mercado Livre, Amazon e Shopee ganhando participação graças a eficiência logística e tecnológica — em contraste com parte do varejo físico, que convive com custos maiores e vendas mais fracas. As plataformas digitais oferecem maior variedade de produtos e têm menor ticket médio, mantendo margens saudáveis em segmentos essenciais.

Na prática, algumas grandes redes já começaram a ajustar seus modelos, fechando lojas ou reduzindo a velocidade de expansão física para cortar custos. O mercado não espera recuperação rápida nos resultados ou nas ações do varejo tradicional enquanto os juros permanecerem altos, segundo o economista e CEO da Corano Capital, Bruno Corano.

Brás ressalta ainda que a queda da taxa básica de juros não atuará como um “botão de reset”: a recuperação do consumidor, a redução da inadimplência e a melhora do acesso ao crédito levam tempo, e para empresas fragilizadas meses podem ser críticos.

Especialistas acreditam que o ambiente favorece fusões, aquisições e parcerias, além de acelerar a fatia do e‑commerce. Operações integradas, nas quais a loja física passa a funcionar como centro de distribuição e suporte para vendas online, são vistas como modelo mais competitivo no médio prazo.

No mercado financeiro, a crise reduz a atratividade do setor nas carteiras. As ações do Grupo Casas Bahia (BHIA3) exemplificam a queda: o papel, que chegou a valer mais de R$ 400 em 2020, foi negociado por centavos em períodos recentes. Analistas esperam que investidores passem a selecionar com mais rigor empresas com caixa forte, baixa alavancagem, geração consistente de fluxo de caixa e capacidade de ganhar participação — características que podem fazer redes alimentares e de farmácias se destacarem.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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