Jogos da seleção podem afetar expediente; lei não obriga folgas
A classificação do Brasil em primeiro lugar no Grupo C colocou a seleção — comandada por Carlo Ancelotti — na fase de mata-mata da Copa do Mundo de 2026. Caso o time chegue até a final, serão cinco partidas até a decisão do título, sendo quatro delas em dias úteis, fator que tende a interferir na rotina de trabalhadores que cumprem expediente comercial.
Segue o caminho do Brasil até a final, com datas e horários informados:
16 avos de final: 29 de junho (segunda-feira), às 14h
Oitavas de final: 5 de julho (domingo), às 17h
Quartas de final: 11 de julho (sábado), às 18h
Semifinal: 15 de julho (quarta-feira), às 16h
Final: 19 de julho (sábado), às 18h
Na legislação brasileira, sábado é considerado dia útil, conforme a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) de 1943 e a Constituição Federal de 1988. A estreia na fase eliminatória em 29 de junho, às 14h, reacende práticas já vistas em copas anteriores: algumas empresas ajustam escalas, liberam funcionários ou permitem que assistam às partidas no próprio local de trabalho.
Porém, a flexibilização é facultativa. A lei não prevê folgas automáticas para dias de jogo, de modo que o expediente segue normalmente a menos que a empresa opte por liberar os empregados. Quando a empresa decide suspender o trabalho sem descontar salário, a folga é remunerada e não exige acordo coletivo, desde que a regra esteja clara para a equipe.
Em outras situações, empregadores reduzem a jornada, permitem a transmissão das partidas no local ou mantêm o funcionamento regular, tratando o evento como atividade externa ao expediente. Se houver liberação parcial ou total, pode ser combinada compensação de horas, desde que respeitados os limites diários previstos em lei.
O advogado Marcel Zangiácomo, sócio do escritório Galvão Villani, Navarro, Zangiácomo e Bardella Advogados, ressalta que a compensação não pode forçar o trabalhador a exceder o permitido por lei e que a soma de horas extras não deve ultrapassar duas horas por dia. Há possibilidade de compensação em até um ano, desde que acertada por meio de acordo — individual verbal, individual escrito ou coletivo, conforme o caso.
Faltas não negociadas continuam sendo tratadas como ausências injustificadas, com desconto de horas e risco de perda do descanso semanal remunerado; reincidência pode gerar advertência ou suspensão, embora a ausência isolada para assistir a um jogo não configure, segundo especialistas, motivo para justa causa.
Setores que operam em regime de escala ou serviços essenciais (saúde, transporte, segurança e atendimento ao público) enfrentam regras mais rígidas. Nesses casos, o planejamento prévio e o diálogo entre empregador e empregado são apontados como fundamentais, e acordos individuais costumam ser adotados para preservar atividades contínuas.
Empresas como a startup GetNinjas, em São Paulo, chegaram a decorar o ambiente e permitir que funcionários acompanhem os jogos no escritório ou em casa, exemplificando a diversidade de práticas adotadas pelas organizações.
Com informações de G1




