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quinta-feira, setembro 17, 2026

Superquarta: Copom reduz Selic e Fed eleva juros nos EUA; entenda os efeitos para o bolso do brasileiro

Decisões opostas

Em uma mesma semana, os dois maiores bancos centrais do mundo deram passos contrários: o Comitê de Política Monetária (Copom) do Brasil reduziu a taxa básica de juros, a Selic, de 14% para 13,75%, enquanto o Federal Reserve (Fed) dos Estados Unidos aumentou seus juros para a faixa de 3,75% a 4% ao ano — a primeira alta do banco central americano em três anos.

As probabilidades de elevação pelo Fed estavam muito altas antes do anúncio: a ferramenta FedWatch indicava 92,5% nesta terça-feira para uma alta na reunião. O movimento foi alimentado por declarações mais duras de membros do Fed, incluindo o presidente Kevin Warsh, que sinalizaram necessidade de elevar juros para combater a inflação. A alta do petróleo acima de US$ 100 por barril, em meio ao conflito entre EUA e Irã, também reforçou as apostas por um aperto monetário nos EUA.

Contextos diferentes de inflação e crescimento

Nos Estados Unidos, a inflação acumulada em 12 meses está em 3,4%, acima da meta considerada confortável pelo Fed, enquanto a atividade econômica perdeu força, com crescimento de 0,4% no segundo trimestre na comparação com os três meses anteriores. No Brasil, a inflação em 12 meses é de 4,22%, dentro da margem de tolerância do Banco Central, e a economia cresceu 0,5% no segundo trimestre, desacelerando frente aos 1,1% registrados no trimestre anterior.

Como isso atinge o consumidor

Os efeitos das decisões monetárias externas não costumam ser imediatos para o consumidor brasileiro, mas podem impactar preços e crédito por vias indiretas. Dois canais são os mais relevantes: o câmbio e o custo do crédito. Um dólar pressionado tende a encarecer produtos importados e insumos, com repercussão em prateleiras ao longo de semanas ou meses. Já juros mais altos no exterior reduzem o espaço para cortes domésticos mais agressivos na Selic, o que pode manter financiamentos, empréstimos e juros rotativos elevados por mais tempo.

Fernando Benavenuto, especialista em investimentos e sócio-fundador da Anvex Capital, ressalta que a transmissão para o dia a dia é lenta e ocorre por caminhos indiretos, como o encarecimento de importados. Gabriel Magno, chefe de alocação de investimentos e sócio da AW Capital, chama atenção para as projeções divulgadas pelo Fed junto com a decisão: mais do que a alta em si, o mercado reage ao sinal sobre a trajetória futura dos juros.

O papel das expectativas e do diferencial de juros

Se o Fed deixar claro que os juros americanos permanecerão elevados por mais tempo ou subirão além do previsto, investidores tendem a migrar para títulos dos EUA, considerados seguros e agora com remuneração maior. Isso pode fortalecer o dólar frente ao real. Benavenuto alerta que a verdadeira preocupação para a moeda brasileira não é a alta pontual, e sim uma sinalização de juros americanos mais altos por mais tempo, o que comprime o diferencial entre as taxas locais e as americanas e reduz o atrativo de investimentos em reais.

Fatores domésticos também pesam

Além do cenário externo, questões internas — como a situação das contas públicas e a eleição em outubro — podem ampliar a pressão sobre o real. Identificar com precisão a origem de uma alta do dólar é complicado, mas um método utilizado por analistas é comparar o desempenho do real com o de outras moedas de países emergentes: se o dólar sobe contra todas, a causa tende a ser externa; se o real se desvalorizou mais que pares como o peso mexicano, o rand sul-africano ou o peso chileno, pode haver fatores domésticos em jogo. Especialistas lembram, porém, que elementos externos e internos podem atuar simultaneamente e até se compensar.

As decisões do Copom e do Fed tiveram momentos distintos e implicações diferentes para inflação, crescimento e mercados, e a forma como esses efeitos se materializarão no dia a dia do brasileiro dependerá da trajetória futura das taxas e da interação entre fatores externos e domésticos.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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