O Sistema Único de Saúde (SUS) aumentou a oferta de teleatendimentos voltados a pessoas com problemas relacionados a jogos e apostas online, passando a disponibilizar até 100 mil atendimentos por mês a partir desta terça-feira (4). Antes da expansão, o serviço oferecido registrava apenas 600 atendimentos mensais, segundo o Ministério da Saúde.
O atendimento faz parte da segunda fase de um programa lançado em março, que surgiu de uma parceria entre o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS (AgSUS) e o Hospital Sírio-Libanês. O aumento na capacidade foi motivado pelo crescimento da demanda verificada nos últimos meses.
Como acessar o serviço
O acesso ao teleatendimento é feito pelo aplicativo Meu SUS Digital. O usuário entra com a conta gov.br, abre a seção “Miniapps” e seleciona o serviço identificado como “Agora Tem Especialistas em Saúde Mental para Quem Aposta”. Inicialmente, o usuário responde a um autoteste e, em seguida, é encaminhado para a plataforma operacionalizada pela Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS.
Na plataforma, o interessado aceita um termo de uso, preenche um formulário sobre sua situação e informa se o pedido é para si ou para um familiar. Concluída a etapa, o sistema gera um número de protocolo, faz o agendamento e envia automaticamente a confirmação da consulta, o link para a videochamada e orientações para o dia do atendimento.
As sessões são realizadas por vídeo, têm duração aproximada de 50 minutos e, em geral, ocorrem semanalmente. O profissional pode indicar um ciclo inicial de até dez encontros e, ao fim desse período, será feita nova avaliação que pode resultar em alta, em continuidade do atendimento remoto ou em encaminhamento para atendimento presencial na Rede de Atenção Psicossocial, composta por Unidades Básicas de Saúde e mais de três mil Centros de Atenção Psicossocial no país.
Ferramentas paralelas e estatísticas
Além do teleatendimento, o Ministério da Saúde e o Ministério da Fazenda mantêm o Observatório Saúde Brasil de Apostas Eletrônicas, que inclui a Plataforma Centralizada de Autoexclusão. Essa ferramenta permite ao usuário bloquear voluntariamente o CPF em sites e aplicativos de apostas autorizados.
Já foram registrados mais de 1 milhão de pedidos de autoexclusão. Entre os motivos informados pelos usuários, a perda de controle aparece em primeiro lugar, citada por 35% dos casos. Entre 11 de junho e 19 de julho — período da Copa do Mundo — quase 388 mil pessoas solicitaram o bloqueio do CPF, representando mais de um terço de todas as autoexclusões realizadas na plataforma.
Sinais de alerta e fatores de risco
O Ministério da Saúde aponta sinais que podem indicar problema com apostas: alterações no sono, na alimentação e no humor; mentiras sobre o quanto se aposta; sentimento de vergonha ou culpa após apostar; e ansiedade ou inquietação quando não está jogando. Também são citados uso do jogo como fuga de estresse, dificuldade em reduzir a atividade, prejuízos em relações pessoais e profissionais, aumento no consumo de álcool e outras substâncias e comprometimento do orçamento familiar.
Entre os fatores que aumentam a vulnerabilidade para o desenvolvimento de vício estão a exposição precoce a jogos, o fácil acesso a plataformas online, busca por alívio emocional, histórico de transtornos como depressão e ansiedade, traços de impulsividade, influências sociais que romantizam apostas, isolamento e situação de vulnerabilidade social.
Ao justificar a ampliação, o ministério destacou a redução do estigma como objetivo central, ressaltando que a possibilidade de primeiro contato remoto, sigiloso e sem julgamentos pode facilitar que mais pessoas e familiares busquem ajuda antes do agravamento do quadro. Usuários que já têm o aplicativo Meu SUS Digital instalado foram notificados sobre a novidade; quem ainda não utiliza o recurso deve baixar o app, entrar com a conta gov.br e localizar o miniaplicativo de atendimento em saúde mental voltado a apostas.
Com informações de Paranaibamais




