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quarta-feira, outubro 21, 2026

Trend brasileira “Caso ela diga não” que simula agressões contra mulheres repercute na imprensa francesa

TRANSMISSÃO: Record

Trend que encena violência contra mulheres mobiliza jornais e rádios franceses

Uma tendência nas redes sociais brasileiras conhecida como “Caso ela diga não” tornou-se alvo de ampla cobertura da imprensa francesa nesta semana. Reportagens em veículos como Le Parisien, 20 Minutes, France 24, France Inter e a plataforma Brut relataram vídeos em que homens encenam reações violentas — incluindo espancamentos, facadas e disparos contra manequins ou bonecos de treino — como forma de “treino” caso recebam uma recusa em pedidos de namoro ou casamento.

O diário Le Parisien, em matéria publicada na segunda-feira (13), afirmou que esses conteúdos se tornaram virais no TikTok e vêm ficando “cada vez mais violentos, descomplexados e acessíveis”. O jornal citou a tentativa de feminicídio sofrida por Alana Anisio Rosa, de 20 anos, em São Gonçalo (RJ) em fevereiro, lembrando que a jovem foi atacada com dezenas de facadas e espancada após recusar avanços de um homem que lhe oferecia flores e presentes. Alana sobreviveu, foi colocada em coma induzido e passou por várias cirurgias antes de iniciar a recuperação.

O agressor do caso foi identificado como Luiz Felipe Sampaio, de 22 anos, preso em flagrante, segundo as reportagens. A mãe da vítima, Jaderluce Anisio de Oliveira, declarou que o suspeito buscava inspirações em vídeos do TikTok que mostram homens atacando manequins e bonecos de treino com o slogan “treinando caso ela diga não”.

O site 20 Minutes observou que muitos desses vídeos alcançaram milhares de visualizações e avaliou que esse tipo de conteúdo pode contribuir para a escalada de violência contra mulheres no Brasil. Em 2025, o país registrou 1.586 feminicídios, número citado nas matérias que analisam a possível conexão entre a difusão de conteúdo misógino e o aumento das agressões.

A cobertura francesa também recordou outros casos recentes: em janeiro, um dos envolvidos em um estupro coletivo de uma jovem de 17 anos no Rio teria se apresentado à polícia usando uma camiseta com a inscrição em inglês “Regret Nothing” (“não se arrepender de nada”), expressão associada a influenciadores masculinistas; e, em março, a morte da policial Gisele Alves Santana, de 32 anos, cujo marido, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, foi acusado do crime. France 24 destacou mensagens do casal em que o marido se autodescreve como “macho alfa” e exige que ela seja “fêmea beta, obediente e submissa”.

Na rádio France Inter, a jornalista Mathilde Serrell afirmou que “a ficção se tornou realidade”, citando série televisiva que trata de um caso semelhante de feminicídio por rejeição. A plataforma Brut mostrou respostas nas redes em que usuários publicam vídeos ensinando reações respeitosas a recusas, com comentários questionando a demora das autoridades em identificar e punir autores de conteúdos que incentivam agressões. Nas discussões online, internautas também relacionaram o fenômeno ao debate em curso sobre o Projeto de Lei da Misoginia na Câmara dos Deputados, que enfrenta resistência de grupos conservadores.

As reportagens destacam preocupação pelo alcance desses conteúdos e pela aparente impunidade dos responsáveis por sua produção e difusão, enquanto reações contrárias se multiplicam nas redes sociais.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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