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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, avisou que pode impor uma tarifa de 100% sobre vinhos e champanhes franceses caso a França não elimine o imposto digital aplicado às grandes empresas de tecnologia dos EUA. A declaração foi dada em entrevista ao jornal The New York Post e foi dirigida ao presidente francês Emmanuel Macron às vésperas da cúpula do G7, realizada em 15 de junho de 2026 em Évian-les-Bains.
Trump exigiu a retirada da cobrança de 3% sobre a receita local de empresas do Vale do Silício, conhecida na França como imposto sobre serviços digitais ou imposto “GAFAM”. Segundo o mandatário americano, se Paris mantiver a taxa, Washington ficará sem alternativa a não ser aplicar tarifas punitivas de 100% sobre os vinhos franceses importados pelos EUA.
O mercado norte-americano representa atualmente cerca de um quinto das vendas globais da indústria vitivinícola francesa, com movimentação anual superior a US$ 2 bilhões. Trump afirmou que pediu a Macron que deixasse de cobrar o tributo às companhias americanas e condicionou a retirada da medida ao fim da pressão tarifária sobre os produtos franceses nos Estados Unidos.
O imposto francês está em vigor desde 2019 e incide sobre a receita bruta em vez do lucro, afetando empresas como Alphabet, Amazon, Meta e Apple. Dados do Ministério das Finanças da França, citados pelo The New York Post, apontam que a taxa arrecadou cerca de US$ 700 milhões no ano anterior. Em outubro, a Assembleia Nacional aprovou em votação a proposta de dobrar a alíquota para 6% em relação às maiores empresas globais, medida que foi posteriormente vetada por ministros.
O episódio reacende um impasse diplomático que o Palácio do Eliseu havia dito ter sido resolvido, informação contestada por um representante do governo americano, segundo a reportagem. A Casa Branca, por meio do porta-voz Kush Desai, remeteu a um memorando presidencial de fevereiro de 2025 que afirmou que empresas americanas não deveriam sustentar economias estrangeiras por meio de multas e impostos elevados. O documento determinou que o Departamento do Tesouro e o Representante Comercial dos EUA, Jamieson Greer, avaliassem a reabertura de uma investigação formal sobre a taxa francesa.
Esta não é a primeira ameaça tarifária contra o setor vinícola da França. Em janeiro de 2026, Trump já havia cogitado uma sobretaxa de 200% sobre vinhos e champanhes como forma de pressionar Macron a aderir ao chamado “Conselho da Paz”, iniciativa de Washington relacionada a conflitos internacionais, entre eles a guerra em Gaza. O cenário se soma a um ambiente regulatório europeu cada vez mais rigoroso contra empresas de tecnologia, com multas e investigações envolvendo Google, Apple, Meta, Microsoft e TikTok.
O confronto sobre a taxação digital e as possíveis retaliações comerciais coloca o tema no centro das conversas entre líderes do G7 nesta segunda-feira, em Évian-les-Bains.
Com informações de G1




