O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (10) que o Irã não tem “nenhuma carta” para negociar além do controle temporário do Estreito de Ormuz e declarou que “a única razão pela qual ainda estão vivos hoje é para negociar”. A mensagem foi publicada na plataforma Truth Social na véspera das negociações entre Washington e Teerã, mediadas pelo Paquistão em Islamabad.
Transmissão: Band
As conversas em Islamabad marcam o primeiro encontro direto entre as duas partes desde o início do conflito, no fim de fevereiro. No calendário brasileiro, os dois países se reunirão nesta sexta. A delegação americana será apresentada como chefiada pelo vice-presidente JD Vance, acompanhado do enviado especial Steve Witkoff e de Jared Kushner, genro de Trump. Segundo a NBC News, o presidente manifestou-se “muito otimista” em relação ao andamento das negociações.
Em publicação anterior, Trump também avaliou que “os iranianos são melhores em lidar com a mídia e com relações públicas do que em lutar”, comentário feito após o governo iraniano declarar uma “vitória histórica” e afirmar que “quase todos os objetivos de guerra foram alcançados”.
O momento das declarações ocorre enquanto o cessar-fogo de duas semanas, anunciado na terça-feira (7), já apresenta sinais de tensão. O controle do Estreito de Ormuz — eixo central do acordo — permanece praticamente inoperante: desde a trégua, apenas um número reduzido de navios utilizou a via, por onde circula um quinto do petróleo e do gás mundial. Na quinta-feira (9), Trump disse publicamente que o Irã “não está cumprindo sua parte”.
As negociações enfrentam três obstáculos principais. Primeiro, Teerã exige cobrar uma taxa pela passagem pelo estreito, em moeda diferente do dólar, posição rejeitada pela União Europeia e pelos países do Golfo Pérsico. Segundo, o Irã quer que o cessar-fogo inclua o Líbano, onde Israel mantém ofensiva contra o Hezbollah — pedido recusado por EUA e Israel. Terceiro, Washington e Tel Aviv exigem a entrega do estoque de urânio enriquecido do Irã, demanda que, segundo a reportagem, foi retirada da mesa por Teerã.
Os ataques aéreos israelenses de quarta-feira (8), descritos como os mais letais no Líbano desde o início da guerra no Oriente Médio, colocaram em dúvida a participação iraniana nas reuniões. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou na quinta-feira (9) que o “descumprimento dos compromissos” por Israel “torna as negociações inúteis” e reafirmou que o país “jamais abandonará seus irmãos e irmãs libaneses”.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, disse que a realização das negociações depende do “respeito dos Estados Unidos aos seus compromissos de cessar-fogo em todas as frentes, particularmente no Líbano”. Desde o anúncio do cessar-fogo em 7 de maio, houve discordância sobre sua aplicação no Líbano: o Paquistão, mediador, afirmou que a trégua vale “em todos os lugares, inclusive no Líbano”, mas americanos e israelenses negam essa abrangência.
Apesar do anúncio de possíveis negociações entre Israel e Líbano em Washington na próxima semana, os confrontos continuam. Na noite anterior, o Exército israelense informou que atacava “postos de lançamento” de mísseis do Hezbollah, enquanto o próprio movimento reivindicou ataques com drones e foguetes contra Israel.
As negociações em Islamabad deverão tentar superar essas divergências e definir os termos do cessar-fogo e de garantias para as rotas marítimas, mas permanecem condicionadas ao cumprimento das partes envolvidas.
Com informações de Uberlandianofoco




