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sábado, outubro 17, 2026

Trump quer renomear “inteligência artificial” para “Superinteligência” e provoca reação de especialistas

Quem e o que: O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem insistido que a expressão “inteligência artificial” seja trocada por “Superinteligência (SI)”.

Quando e onde: A ideia foi reafirmada em um discurso na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas no mês passado e também divulgada por meio de enquetes publicadas na sua rede social, Truth Social.

Como: Antes de adotar o termo “Superinteligência”, Trump promoveu sondagens online com alternativas traduzidas para o português — entre elas “Inteligência Superior (IS)”, “Inteligência Extrema (IE)” e “Inteligência Suprema (IS)” — e, dias depois, abriu nova enquete com as opções “Superinteligência” e “Inteligência Superior”. Em declarações públicas, ele disse que pretende que documentos oficiais dos EUA e, se possível, de outros países passem a usar o novo nome e anunciou que consideraria como “inimigo” quem continuar a empregar “inteligência artificial”.

Reações de especialistas

Pesquisadores brasileiros ouvidos afirmam que a sugestão não altera o conteúdo científico da área. Anderson Soares, fundador e professor do Centro de Excelência em Inteligência Artificial (CEIA) da Universidade Federal de Goiás (UFG), ressalta que o conceito de inteligência carece de definição precisa e que o termo atualmente usado descreve máquinas que executam tarefas associadas à cognição humana. Soares avalia que a tentativa de renomear a tecnologia tem caráter político e não contribui para o avanço técnico.

Cleber Zanchettin, professor de Engenharia da Computação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), interpreta a iniciativa como uma manobra de marketing e afirma que o discurso de Trump na ONU parecia voltado para atrair atenção, sem implicações práticas. Allan Pscheidt, pesquisador, compara o gesto a demonstrações de poder técnico e sugere que a proposta sinaliza a intenção dos EUA de afirmar liderança na corrida por uma eventual inteligência artificial geral (AGI).

Contexto histórico e percepção pública

O termo “inteligência artificial” foi formalizado em meados de 1955 por pesquisadores como John McCarthy, Marvin Minsky, Claude Shannon e Nathaniel Rochester, após décadas de estudos que incluíram trabalhos de Alan Turing e avanços na cibernética iniciada por Norbert Wiener em 1948. Desde então, a tecnologia evoluiu e passou a integrar atividades cotidianas — reconhecimento facial em bancos, veículos semiautônomos, drones, alto-falantes inteligentes e câmeras de celulares — e, mais recentemente, ganhou notoriedade com a IA generativa, que originou ferramentas como ChatGPT e outras plataformas de criação automática de textos, imagens e vídeos.

Pesquisas apontam receio público em relação ao avanço da tecnologia: 52% dos brasileiros se dizem mais preocupados do que animados com a evolução da IA, segundo o Pew Research Center, e nos Estados Unidos cerca de nove em cada 10 pessoas relatam maior preocupação do que entusiasmo sobre a possibilidade de a IA superar a inteligência humana, de acordo com pesquisa da CNN divulgada em setembro.

Especialistas também observam que a adoção de termos que transmitam superioridade pode intensificar o medo e a rejeição por parte de uma população que ainda busca entender conceitos básicos da tecnologia.

O debate sobre nomenclatura acontece em meio a encontros entre autoridades e líderes do setor de tecnologia, enquanto a comunidade científica mantém descrições técnicas consolidadas e sem evidências de existência de uma “superinteligência” no sentido de uma inteligência geral superior à humana.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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