Uberlândia reúne 141.605 empresas ativas, com predominância de micro e pequenos empreendimentos, mas enfrenta dificuldades para transformar o alto número de aberturas de CNPJ em negócios duradouros. No Brasil, mais de 5 milhões de novas empresas foram registradas em 2025, porém 62,7% encerram as atividades antes de completar cinco anos, segundo dados do IBGE.
Panorama local e composição do tecido empresarial
Levantamento do Mapa Sebrae aponta que, em Uberlândia, 132.093 empresas são classificadas como pequenos negócios, o que corresponde a 93,28% do total. Do conjunto de CNPJs ativos, 72.450 são Microempreendedores Individuais (MEIs) — 51,16% — e 59.643 são Microempresas (MPEs), representando 42,12%. Há ainda 9.512 empresas de outros portes e 7.748 Empresas de Pequeno Porte (EPPs).
Os setores com maior presença no município são Serviços (40.985 estabelecimentos), Comércio (14.460), Indústria (9.787), Construção Civil (6.522) e Agropecuária (696), o que evidencia a dependência da economia local em atividades de menor porte.
Riscos e causas de encerramento
Embora o número de registros cresça, o país também viu em 2025 o maior contingente histórico de empresas em recuperação judicial: 2.466 CNPJs em processos de reestruturação, alta de 13% ante 2024, segundo a Serasa Experian. Especialistas consultados apontam que vendas altas não garantem sustentabilidade.
Dema Oliveira, CEO e fundador da Goshen Land, observa que muitos empreendedores concentram esforços em ampliar vendas sem estruturar o negócio para suportar o crescimento. Pesquisa do Sebrae indica que 17% dos empresários abriram atividades sem planejamento prévio, e há maior incidência de falta de capacitação entre os que encerram as operações.
Entre os gargalos mais citados estão fluxo de caixa fragilizado, ausência de processos internos, metas pouco definidas, equipes desalinhadas e falta de indicadores. A centralização de decisões no fundador também aparece como fator que reduz a eficiência à medida que a empresa cresce.
Formação, protagonismo feminino e inclusão
Iniciativas locais têm buscado oferecer suporte. O projeto “Uberlândia Empreendedora nos Bairros” disponibiliza consultorias sobre formalização e finanças em escolas públicas de áreas periféricas, com mulheres correspondendo a cerca de 58% dos atendimentos. Em Morumbi, oficinas de inclusão digital nos Centros Educacionais de Assistência Integrada (Ceais) enfocam produção de conteúdo; segundo a Prefeitura, 70% dos concluintes nas formações são mulheres.
Para Fabiana Queiroz, especialista do Sebrae Minas, negócios com maior potencial geralmente nascem da identificação de oportunidades ou da vontade de transformar um sonho em empreendimento sustentável.
O caso de Ana Júlia, 22 anos, ilustra essa trajetória: ela montou um comércio digital de camisas de futebol no bairro Santa Rosa e relata que a atividade mudou a condição financeira de sua família, lembrando as dificuldades que enfrentou durante a criação pela mãe solo.
Pesquisa do Sebrae Minas mostra, ainda, que 35% das microempreendedoras indicam a falta de crédito como a maior barreira inicial e que 91% atuam sem acesso a mentorias ou redes institucionais, o que limita o suporte formal disponível.
Recomendações para sustentar o crescimento
Dema Oliveira afirma que o aumento do número de empresas precisa ser acompanhado de gestão mais profissional. Além do planejamento financeiro, ele aponta como essenciais o desenvolvimento de lideranças, a organização de processos internos, o acompanhamento de indicadores, a capacitação contínua e a participação em redes de relacionamento e grupos empresariais. Segundo ele, empresas que investem nessas áreas ficam mais preparadas para enfrentar períodos de instabilidade e manter o crescimento no longo prazo.
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Com informações de Paranaibamais




