Pesquisa aponta consumo elevado de alimentos ultraprocessados entre estudantes
A quinta edição da Pesquisa Nacional de Saúde Escolar (Pense) revela elevados índices de consumo de sobremesas industrializadas e outros alimentos ultraprocessados por crianças e adolescentes nas escolas e em seus entornos. Mais de 40% dos jovens informaram ingestão diária desses produtos, enquanto apenas um terço relatou consumo frequente de verduras e legumes.
O levantamento também identificou alto consumo de alimentos à base de milho e de carboidratos. Além de mapear a oferta dentro das instituições de ensino, a Pense perguntou sobre o que os adolescentes consumiram no dia anterior, indicando que mais de 50% dos entrevistados não ingeriram nem frutas nem legumes na véspera, dado que sinaliza mudança nos padrões alimentares.
Quem comenta: Marília Albiero, gerente de inovação e estratégia da ACT Promoção da Saúde, destacou que a pesquisa considera tanto a oferta interna das escolas quanto o acesso dos estudantes ao saírem delas. Segundo Albiero, o entorno das escolas públicas pode ter disponibilidade de ultraprocessados tão grande quanto, ou maior que, o das escolas privadas.
O que são ultraprocessados: A classificação que popularizou o termo data de 2009 e avalia alimentos pelo grau de processamento. Produtos ultraprocessados costumam ser formulações com alto teor de sal, açúcar e sódio, além de aditivos para mascarar cheiro, sabor, textura e cor. Entre os exemplos citados estão biscoitos, salgadinhos, refrigerantes, sobremesas industrializadas, congelados e guloseimas em geral.
Impactos à saúde e evidências: Estudos recentes, segundo a reportagem, associam o consumo de ultraprocessados a múltiplas doenças. Um artigo na British Medical Journal relacionou esses alimentos a 32 tipos de enfermidades. Uma série publicada na The Lancet também enfatiza a necessidade de políticas públicas para enfrentar os efeitos negativos do consumo desses produtos.
Políticas e regulação: O Brasil conta com o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), ativo há mais de 50 anos e responsável pela alimentação de mais de 40 milhões de estudantes. A resolução do Pnae tem, a cada ciclo, restringido a presença de ultraprocessados. Em âmbito local, estados e municípios — como Rio de Janeiro, Niterói e Ceará — aprovaram normas para regular o ambiente escolar e seus arredores.
No plano federal, tramita o projeto de lei 4501/2020, que busca regulamentar nacionalmente ambientes alimentares em escolas públicas e privadas, incluindo oferta e publicidade. Outra frente é a rotulagem frontal, que já identifica três ingredientes críticos (sal, açúcar e gordura) no Brasil; países vizinhos, como a Argentina, avançaram incluindo informações sobre edulcorantes. Discussões na reforma tributária também envolvem tributação seletiva: atualmente, segundo a reportagem, a alíquota seletiva ficou restrita aos refrigerantes, e há debate sobre benefícios fiscais que poderiam favorecer ultraprocessados.
Transmissão do programa: O programa de vídeo do Brasil de Fato, Conversa Bem Viver, vai ao ar aos sábados a partir das 13h30 no YouTube (horário: 13h30, Brasília UTC-3) e em TVs retransmissoras. A versão em rádio é transmitida de segunda a sexta-feira, às 8h, pela Rádio Brasil de Fato (98,9 FM na Grande São Paulo), além de ser distribuída gratuitamente para emissoras interessadas.
Os dados da Pense e os relatos de especialistas apontam para uma presença sustentada de alimentos ultraprocessados na rotina de estudantes, tanto dentro quanto fora das escolas, e para avanços e desafios nas frentes de regulação, rotulagem e tributação.
Com informações de Uberlandianofoco




