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segunda-feira, outubro 26, 2026

Um em cada três colégios enfrenta obstáculos para aplicar lei que proíbe celulares, mostra pesquisa do MEC

Levantamento indica avanço na implementação, mas destaca problemas práticos

Uma pesquisa nacional sobre a aplicação da Lei nº 15.100/2025 aponta que 92% das escolas brasileiras declaram ter adotado a proibição do uso de celulares para finalidades não pedagógicas. Apesar da ampla implementação declarada, cerca de um em cada três gestores relata dificuldades relevantes para fazer cumprir as novas regras.

O levantamento, intitulado “1º ano da Lei nº 15.100/2025”, foi conduzido pelo Ministério da Educação (MEC), em parceria com o Inep e o Instituto Alana, com cooperação da UNESCO. Foram ouvidos responsáveis por 8.189 unidades escolares públicas e privadas selecionadas por amostragem probabilística, com o objetivo de mapear como as escolas estão interpretando e aplicando a legislação, que foi sancionada em janeiro de 2025 pelo presidente Lula e entrou em vigor no início do ano letivo.

Antes da nova norma, 13% das escolas permitiam o uso de celulares em qualquer horário e espaço; após a lei, esse percentual caiu para 0%. Ao mesmo tempo, o percentual de instituições que restringem o uso em todos os ambientes escolares subiu de 20% para 48%. Além disso, 45% dos estabelecimentos dizem permitir o uso dos aparelhos apenas em atividades media das por profissionais da escola.

Entre os principais entraves relatados, 39% dos gestores apontam dificuldade alta para conseguir a adesão dos estudantes às regras, e outro 39% mencionam a falta de infraestrutura adequada para guardar os dispositivos com segurança. A fiscalização contínua também aparece como desafio: 31% relatam problema para monitorar o cumprimento das normas durante aulas e intervalos.

Os entrevistados atribuem efeitos positivos à restrição. Segundo o relatório, 97% avaliaram que a medida aumentou a participação dos alunos nas atividades pedagógicas, e 95% detectaram melhora na concentração. Esse mesmo percentual (95%) indicou estímulo à socialização presencial. Mais da metade associou a lei à redução de conflitos e agressões digitais (88%) e à diminuição da ansiedade entre estudantes (86%). Observou-se também aumento de atividades manuais, lúdicas e artísticas em 67% das escolas.

O uso de tecnologia com fins pedagógicos, segundo o estudo, não teve queda significativa: 86% dos gestores afirmaram que essas atividades foram mantidas ou ampliadas após a implementação da lei, e 71% discordam que a restrição prejudique o desenvolvimento de habilidades digitais. Como prioridades para consolidar a medida, 67% destacaram a parceria com famílias para limitar o tempo de tela, e 61% apontaram a necessidade de formação docente em mediação tecnológica, saúde mental e bem-estar.

O relatório também registra que adolescentes chegam a passar, em média, cerca de um terço do horário letivo usando o celular, com impacto negativo na atenção, conforme a pesquisa.

Apesar do avanço nas normas e na mudança de comportamentos institucionais, a pesquisa conclui que a efetividade da lei ainda depende de condições materiais e organizacionais para se tornar uniforme na prática escolar.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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