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segunda-feira, outubro 19, 2026

UNE aponta grande mobilização estudantil em defesa da democracia e da educação antes do segundo turno

Quem: A União Nacional dos Estudantes (UNE) e sua presidente, Bianca Borges.

O que: Milhares de estudantes promoveram manifestações em diferentes cidades brasileiras para defender a democracia, a educação pública e manifestar posicionamento sobre candidatos e propostas às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais.

Quando e onde: Segundo a entidade, a mobilização começou após a divulgação do resultado do primeiro turno e contou com atos em universidades e ruas, com destaque para uma reunião-transição na Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói, mais de mil participantes que seguiram para a rua, uma manifestação no Rio de Janeiro em 7 de outubro e um ato em Brasília em 13 de outubro.

Como e por quê: Bianca Borges disse em entrevista que universitários e secundaristas retomaram protagonismo em um movimento que conecta episódios históricos do movimento estudantil, como resistência à ditadura e campanhas por direitos civis. A liderança afirma que a mobilização busca impedir retrocessos, proteger instituições democráticas e melhorar condições de financiamento, assistência estudantil e permanência de estudantes de baixa renda nas universidades públicas.

A presidente da UNE avaliou que a eventual eleição de Flávio Bolsonaro poderia representar risco de ascensão de um governo autoritário e cortes em direitos sociais e na educação. A entidade critica projetos e ações do atual período, como o projeto Future-se apresentado em 2019, o que considera subfinanciamento das universidades por mais de dez anos, declarações de Bolsonaro contra centros acadêmicos e a nomeação de mais de 18 reitores interventores que não haviam ficado em primeiro lugar nas consultas às comunidades universitárias.

Borges citou ainda preocupações com proposta atribuída a Flávio Bolsonaro de transferir a gestão das universidades federais do Ministério da Educação para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, argumento que, segundo ela, aproximaria as instituições de interesses de mercado. A UNE defende que as universidades permaneçam vinculadas a um projeto nacional de desenvolvimento e mantenham suas funções acadêmicas, científicas, sociais e de formação cidadã.

Ao justificar o uso do termo “fascismo” contra o bolsonarismo, Bianca mencionou autoritarismo, deslegitimação de organizações populares, enfraquecimento da participação social, criminalização do movimento estudantil e estímulo à violência política. Ela relatou ameaças de incêndio a universidades pelas redes sociais e citou dois incêndios registrados na Universidade Federal de Pernambuco que estão sob apuração, sem confirmação de sua natureza criminosa. A dirigente também recordou que a sede da UNE, na Praia do Flamengo, foi incendiada em 1º de abril de 1964.

A UNE declarou apoio à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva com o objetivo, segundo a entidade, de impedir o retorno do bolsonarismo e preservar a democracia e a soberania nacional. Bianca criticou declarações atribuídas a Flávio sobre equipe de transição e exploração de terras raras por empresas estrangeiras e defendeu a continuidade de políticas de ampliação das universidades federais e do acesso ao ensino superior.

Sobre a continuidade da organização estudantil, a presidente afirmou que a atuação deve permanecer após o período eleitoral, transformando reivindicações em direitos por meio da participação coletiva.

Trajetória de Bianca Borges: Bianca tem 25 anos, nasceu em Itapevi e foi criada em Praia Grande (SP). É citada como estudante de letras do Instituto Federal de São Paulo (IFSP) e assumiu a presidência da UNE para o mandato de 2025 a 2027. A reportagem também registra que ela é formada em direito pela Universidade de São Paulo (USP), onde ingressou em 2017, e atuou como coordenadora-geral do Diretório Central dos Estudantes Livre da USP e diretora-geral do Centro Acadêmico XI de Agosto. Borges presidiu a União Estadual dos Estudantes de São Paulo (UEE-SP) e integrou a Organização Latino-Americana e Caribenha de Estudantes (Oclae).

Na esfera jurídica-eleitoral, o ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), negou pedido da campanha de Flávio Bolsonaro para impedir publicações nas redes sociais de 54 dirigentes de sindicatos, movimentos sociais e entidades estudantis, entre elas a UNE.

As manifestações, conforme relato da UNE, envolveram majoritariamente universitários organizados em centros acadêmicos e diretórios centrais, com participação de secundaristas, grêmios e outros setores da sociedade e da classe trabalhadora.

O movimento estudantil, segundo a presidente da UNE, pretende seguir ativo para cobrar financiamento, ampliação da assistência estudantil e políticas públicas que assegurem permanência e acesso à educação superior.

Com informações de Uberlandianofoco

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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