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domingo, novembro 1, 2026

União Europeia retira Brasil de lista de países aptos a exportar carnes por uso de antimicrobianos

Decisão da UE suspende exportações brasileiras de produtos de origem animal a partir de 3 de setembro

A União Europeia anunciou nesta sexta-feira (5) a remoção do Brasil da lista de países considerados compatíveis com suas normas sobre o uso de antimicrobianos na pecuária. Com a medida, o país fica proibido de exportar carnes e outros produtos de origem animal ao bloco a partir de 3 de setembro de 2026.

Segundo a UE, a exclusão ocorreu porque o Brasil não apresentou garantias sobre a não utilização desses antimicrobianos na produção animal. Na relação de 2024, o Brasil constava como autorizado a comercializar com o bloco carne bovina, carne de frango e de cavalo, além de tripas, pescado e mel; agora foi retirado para todos esses produtos.

Em valores, as vendas brasileiras de produtos de origem animal ao mercado europeu somam cerca de US$ 5 bilhões por ano (aproximadamente R$ 25 bilhões, na cotação atual). A União Europeia é o segundo maior destino em valor para as carnes brasileiras, atrás apenas da China, segundo o Agrostat, sistema do Ministério da Agricultura.

Dados de 2025 mostram que o bloco adquiriu 368,1 mil toneladas de produtos brasileiros, em negócios que totalizaram US$ 1,8 bilhão. Entre os itens, a carne bovina gerou US$ 1,048 bilhão com exportação de 128 mil toneladas, ocupando o terceiro lugar entre os destinos da carne bovina brasileira, atrás de China e Estados Unidos. A carne de frango rendeu US$ 762 milhões em vendas, com 230 mil toneladas embarcadas. O mel somou US$ 6 milhões em exportações, com volume de cerca de 1 mil toneladas.

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) informou que o país não exporta carne suína para a União Europeia. Outros membros do Mercosul, como Argentina, Paraguai e Uruguai, permanecem autorizados a exportar para o bloco.

Especialistas citados pela reportagem explicam que a UE proíbe o uso de antimicrobianos empregados também como promotores de crescimento. A lista inclui virginiamicina, avoparcina, cacitracina, tilosina, espiramicina e avilamicina. Em abril, o Ministério da Agricultura publicou portaria que proibiu a importação, fabricação, comercialização e uso de alguns desses medicamentos, como a avoparcina e a virginiamicina.

Para voltar à lista europeia, o Brasil tem duas alternativas: aprovar restrições legais ao uso dos demais medicamentos mencionados ou garantir que a carne exportada não contenha essas substâncias, o que exige rastreabilidade e tende a ser mais demorado e oneroso. Especialistas lembram que a UE vinha sinalizando essas exigências desde 2019.

O retorno às autorizações comerciais com a União Europeia só será possível após a comprovação de que a pecuária brasileira não emprega os antimicrobianos proibidos, independentemente de quando essa confirmação ocorrer.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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