Distribuidora diz que ainda avalia detalhes técnicos e mantém diálogo com governo e ANP
A Vibra Energia, a maior distribuidora de combustíveis do país, informou nesta quinta-feira (9 de abril de 2026) que se habilitou ao programa de subvenção ao diesel criado pelo governo federal para mitigar os efeitos da alta do petróleo provocada pela guerra no Oriente Médio. A empresa afirmou que a habilitação vale para o mês de abril e que segue avaliando os aspectos técnicos da medida.
Segundo a companhia, as conversas em curso com o governo e a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) têm por objetivo esclarecer e ajustar pontos relevantes para que, em momento oportuno, a solicitação da subvenção ocorra em conformidade com requisitos de governança e eficiência logística. Na prática, as empresas do setor negociam com a ANP prazos de pagamento da subvenção e critérios de fiscalização, diante de dúvidas sobre a operacionalização e a previsibilidade dos repasses.
A Vibra reiterou, em nota, apoio a medidas que aumentem a previsibilidade do mercado e reduzam os impactos sobre consumidores e setores produtivos. A empresa adotou o nome Vibra Energia após a privatização da antiga BR Distribuidora, concluída em 2021.
O anúncio acontece dias após o governo ampliar o subsídio ao diesel importado, elevando o benefício de R$ 0,32 para R$ 1,52 por litro. Na primeira etapa do programa federal, que abrangia o período de 12 a 31 de março, cinco empresas haviam sido habilitadas: Petrobras, a refinaria de Mataripe (BA), Sea Trading Comercial, Midas Distribuidora e Sul Plata Trading. A ANP informou que o número de aptos subiu para nove até quarta-feira (8), com a entrada de Royal Comercial, Phaenarete, Refinaria de Petróleo Riograndense e ON Petro Trading. A Vibra deve constar nas próximas atualizações da lista.
As três maiores distribuidoras do país — Vibra, Raízen e Ipiranga — ficaram de fora da fase inicial, e, até o momento, a Vibra foi a única a confirmar adesão. Pelas regras divulgadas, os agentes do setor tiveram até 31 de março para aderir à primeira fase; para o mês de abril, o prazo permaneceu aberto.
O governo publicou em 7 de abril de 2026 uma medida provisória que institui o Regime Emergencial de Abastecimento Interno de Combustíveis, com um pacote de ações para conter os efeitos do conflito entre Estados Unidos e Irã sobre a economia brasileira. Entre as medidas está a nova subvenção ao diesel importado que prevê desconto de R$ 1,20 por litro (R$ 0,60 de subsídio federal e R$ 0,60 estadual). Somado ao subsídio anterior de R$ 0,32, o benefício total chega a R$ 1,52 por litro.
O objetivo público é proteger o setor produtivo, em especial o agronegócio, da alta de preços. O governo informou que a medida será aplicada, ao menos, durante abril e maio e terá custo estimado em R$ 4 bilhões — R$ 2 bilhões para a União e R$ 2 bilhões para os estados e o Distrito Federal. No caso dos estados, o subsídio será viabilizado por retenção de parte do Fundo de Participação dos Estados (FPE), no valor equivalente a R$ 0,60 por litro. O FPE é formado por 21,5% da arrecadação líquida do Imposto de Renda (IR) e do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Além disso, o governo instituiu uma subvenção de R$ 0,80 por litro para diesel produzido no Brasil, que se soma ao subsídio de R$ 0,32 já em vigor.
As medidas têm como foco os importadores de diesel, responsáveis por complementar a oferta interna do combustível.
Com informações de G1




