23.6 C
Uberlândia
quinta-feira, outubro 22, 2026

Warsh diz que respeitará independência do Fed, mas limitações serão mantidas

O indicado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para presidir o Federal Reserve (Fed), o financista Kevin Warsh, afirmou em comentários preparados que deve declarar aos senadores estar “comprometido em garantir que a condução da política monetária permaneça estritamente independente”. As falas, destinadas à audiência de confirmação, foram vistas pela Reuters nesta segunda-feira.

Warsh, de 56 anos e ex-diretor do Fed entre 2006 e 2011, também sinaliza que pretende cooperar com a Casa Branca e com o Congresso em assuntos que não se enquadram diretamente na política monetária. “Estou igualmente comprometido em trabalhar com o governo e com o Congresso em questões não monetárias que fazem parte das atribuições do Fed”, diz o texto das declarações.

Segundo as falas preparadas, o candidato sustenta que a independência do banco central deve ser preservada principalmente nas decisões sobre taxas de juros e demais instrumentos de política monetária, mas que esse grau de autonomia “não se estende a toda a gama de suas funções mandatadas pelo Congresso”. Warsh afirma que os responsáveis pelo Fed não merecem a mesma “deferência especial” em temas como gestão de recursos públicos, regulamentação e supervisão bancária ou questões ligadas às finanças internacionais.

Na audiência, prevista para terça-feira (21) às 10h no horário local (11h em Brasília), Warsh também promete promover mudanças na instituição. Ele alerta que organizações grandes e complexas podem tender a preservar o status quo, o que, em seu entendimento, pode ser “prejudicial” diante de transformações rápidas. “Em uma época que estará entre as mais importantes da história de nossa nação, acredito que um Federal Reserve voltado para a reforma pode fazer uma diferença real para o povo norte-americano”, afirma o texto.

Em suas observações, o indicado retoma críticas feitas ao Fed desde que deixou o cargo, defendendo que o banco deve “permanecer em sua faixa” e evitar incursões sobre temas que ele considera vinculados à política fiscal ou a agendas sociais. Warsh já empregou essa expressão anteriormente ao criticar estudos do Fed sobre os efeitos econômicos das mudanças climáticas e a meta de pleno emprego “inclusivo”. Nos últimos anos, o Fed reduziu o foco em questões climáticas.

Warsh alerta ainda que a independência do banco central pode ser fragilizada caso a instituição não cumpra seu mandato de estabilidade de preços definido pelo Congresso. “A inflação baixa é a armadura do Fed, sua proteção vital contra as investidas e flechas […] Portanto, quando a inflação aumenta — como aconteceu nos últimos anos — os cidadãos sofrem graves danos … (que) também podem perder a fé em nosso sistema de governança econômica, levantando dúvidas se a independência da política monetária é tudo o que se espera”, afirmam as falas preparadas.

O processo de confirmação no Comitê Bancário do Senado deve começar às 10h (horário local) na terça-feira, com transmissão dos depoimentos de Warsh sobre suas prioridades e limites para a atuação do Fed.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
Últimas Notícias
Veja também