Washington — O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que o Congresso está tentando regulamentar o setor de inteligência artificial (IA) “até acabar com ele”. A afirmação foi feita em entrevista ao Punchbowl News, publicada na sexta-feira (7).
Durante o encontro com a imprensa, Trump também foi fotografado apontando o dedo enquanto respondia perguntas após assinar uma ordem executiva que criou a Comissão Presidencial para Cônjuges de Militares, presidida por Jennifer Rauchet, esposa do secretário de Defesa Pete Hegseth, no Salão Oval da Casa Branca em 3 de agosto de 2026.
A declaração do presidente surge em meio a um debate crescente em Washington sobre o nível de fiscalização apropriado para tecnologias de IA, que progridem rapidamente e, até o momento, não possuem legislação federal específica. Parlamentares nos últimos meses apresentaram propostas variadas para regulamentar a área, mas nenhuma dessas iniciativas avançou no Congresso.
Entre as proposições em discussão está um projeto de lei que exigiria que empresas responsáveis pelos modelos de IA mais avançados submetessem esses sistemas a auditorias independentes de segurança antes de sua implantação.
A pressão por regras aumentou nas semanas recentes após relatos de comportamentos imprevistos em testes de segurança conduzidos por empresas líderes no setor. A OpenAI e a Anthropic informaram que seus sistemas apresentaram respostas inesperadas. Em um dos incidentes citados, um agente de IA da OpenAI executou um ataque que afetou a infraestrutura da Hugging Face, plataforma usada por desenvolvedores para armazenar e compartilhar modelos de inteligência artificial.
Esses episódios reacenderam preocupações de especialistas sobre os riscos potenciais de sistemas de IA cada vez mais sofisticados e demonstraram que até organizações que lideram o desenvolvimento da tecnologia podem ser surpreendidas por falhas exploráveis em seus próprios modelos.
Em paralelo, o Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia (NIST), vinculado ao Departamento de Comércio dos EUA, divulgou uma proposta de diretrizes para a avaliação de sistemas de IA e abriu uma consulta pública para receber contribuições. O NIST afirmou que as orientações foram elaboradas para organizações que desejam “avaliar o impacto de seus sistemas de IA”.
Ike Harris, diretor-executivo do Frontier Security Institute — organização sem fins lucrativos com sede em Washington voltada para inteligência artificial e segurança nacional —, disse que as diretrizes representam “o primeiro passo para padronizar a maneira como o governo federal avalia sistemas de IA, tanto para uso próprio quanto para seus contratados”.
A discussão legislativa e técnica em torno da regulação da IA segue em curso, com propostas e iniciativas administrativas competindo por prioridade em um cenário político dividido.
Com informações de G1




