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terça-feira, outubro 20, 2026

MPF pede à Justiça Federal que trate como coletiva disputa entre comunidade caiçara e Exército em Guaratiba

O Ministério Público Federal (MPF) no Rio de Janeiro solicitou à Justiça Federal que o conflito fundiário envolvendo cerca de 70 famílias caiçaras em Barra de Guaratiba e o Centro Tecnológico do Exército (CTEx) seja reconhecido como questão de natureza coletiva, e não como uma série de disputas individuais sobre posse de terra.

Na sexta-feira (10), o MPF encaminhou pedido à Justiça Federal defendendo a mediação como caminho para resguardar os direitos de todas as partes envolvidas. No requerimento, o órgão também requereu a remessa dos processos da 3ª Vara Federal do Rio de Janeiro para análise pela Comissão de Soluções Fundiárias do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, instância que, segundo o MPF, tem experiência em conciliar conflitos ligados a terras.

A iniciativa busca impedir remoções imediatas e buscar uma solução que concilie a proteção do patrimônio público do Exército com os direitos dos moradores. O pedido do MPF foi motivado inicialmente por uma ação de despejo contra uma moradora apontada como invasora de área onde está instalado o CTEx, cuja construção em Guaratiba data de 1987, posterior à ocupação das terras pelas comunidades.

O MPF destaca que as moradias na região são, em grande parte, construções simples, o que evidencia a vulnerabilidade social das famílias. O CTEx é apontado como unidade responsável pelo desenvolvimento de material bélico.

Além da ação contra essa moradora, o MPF informou que tramitam pelo menos 26 ações de reintegração de posse envolvendo famílias caiçaras no entorno do CTEx e cerca de 50 notificações extrajudiciais exigindo a retirada de casas da comunidade. As notificações teriam estabelecido prazo de 30 dias para desocupação, sem oferta de alternativa habitacional.

O pedido enfatiza que as ocupações compartilham identidade comum e que a área é historicamente habitada por pescadores que vendem sua produção artesanal para restaurantes locais especializados em frutos do mar. Segundo o procurador Regional dos Direitos do Cidadão adjunto Julio Araujo, “A quantidade de famílias envolvidas e a identidade das ocupações evidenciam um litígio de natureza coletiva, que demanda solução estruturada e não medidas fragmentadas”.

O documento, articulado com a Defensoria Pública da União, afirma ainda que a medida afronta a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que reconhece vínculos dos povos com seus territórios, e defende que “O respeito aos territórios independe da sua regularização formal pelo Estado, devendo prevalecer uma compreensão intercultural dos direitos fundamentais”.

O MPF identificou sete comunidades envolvidas no conflito: Olaria, Poço das Pedras, Pernambuco, Bolsão do Índio, Itapuca, Araçatiba e Varginha. No fim de 2025, uma ação do Exército resultou no fechamento do restaurante Tropicana, tradicional estabelecimento de cozinha caiçara mantido por moradores locais, sob a alegação de funcionamento em área militar. Procurado, o Exército não comentou o pedido do MPF.

Com informações de Uberlandianofoco

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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