Quem e o que: O acordo de paz assinado entre os Estados Unidos e o Irã, anunciado em cerimônia com o presidente norte-americano Donald Trump e o líder iraniano, pôs fim a um conflito de quase quatro meses no Oriente Médio. A guerra provocou perturbações no suprimento global de energia e impactos econômicos em diversas frentes.
Fechamento do Estreito de Ormuz e disparada do petróleo
O fechamento do Estreito de Ormuz — passagem pela qual circulam cerca de 20% do petróleo e 25% do gás natural comercializados mundialmente — provocou uma forte alta nos preços da commodity. O barril passou de aproximadamente US$ 70 para quase US$ 120, movimento que analistas classificaram como o maior choque petrolífero registrado, superando crises de 1973, 1979 e 2022.
A Agência Internacional de Energia (IEA) promoveu a maior liberação emergencial de estoques de sua história para tentar ampliar a oferta e conter os preços. Mesmo assim, o aumento pressionou combustíveis e derivados, expandindo seus efeitos para transportes, indústria e produção agrícola. A ureia subiu cerca de 60%, o combustível de aviação elevou custos e contribuiu para o cancelamento de milhares de voos, e fretes marítimos e rodoviários encareceram, pressionando alimentos e bens de consumo.
Com o anúncio do acordo de paz, os mercados começaram a se estabilizar: o petróleo Brent recuou para US$ 78,33 por barril na quinta-feira (18) e estava cotado a US$ 79,68 por barril na manhã de sexta-feira, após o cancelamento de um encontro na Suíça — patamar ainda quase US$ 10 superior ao observado antes do conflito.
Inflação nos EUA e reflexos políticos
Nos Estados Unidos, a elevação dos preços do petróleo levou a aumento dos combustíveis. O preço médio do galão de gasolina saltou de cerca de US$ 2,98 para mais de US$ 4. Em maio, a inflação ao consumidor acumulada em 12 meses alcançou 4,2%, o maior nível em três anos e distante da meta de 2% do Federal Reserve (Fed).
Em resposta, o Fed manteve a taxa básica na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano na reunião de quarta-feira (17), adiando cortes esperados. A conjuntura pressionou a popularidade do presidente Trump: a aprovação atingiu 34% em abril deste ano; pesquisas Reuters/Ipsos apontaram 63% de desaprovação e 36% de aprovação geral, enquanto a aprovação na área econômica foi de 27%. A avaliação da atuação de Trump no combate ao custo de vida subiu moderadamente de 22% para 24% nas últimas semanas.
Efeitos no Brasil
No Brasil, dados da ANP indicam aumentos acumulados de 23,6% no diesel e 8% na gasolina nos últimos meses. O efeito sobre o frete e a cadeia de preços pressionou itens da cesta de consumo: o IPCA acumula alta de 3,20% no ano até maio e avanço de 4,72% em 12 meses, acima do teto da meta de 4,5% para 2026.
O mercado financeiro revisou projeções de juros: o Boletim Focus mostrou expectativa de Selic de 13,75% ao ano em 2026, aumento de 0,25 ponto percentual em relação à semana anterior. Enquanto exportadores de petróleo se beneficiaram com cotações mais altas, setores dependentes de derivados sentiram elevação de custos, pressionando a economia nacional.
Mercados financeiros e projeções globais
A incerteza do conflito levou investidores a buscar ativos considerados seguros, valorizando o dólar. No Brasil, a moeda atingiu R$ 5,3142 em 13 de março, um mês após o início do conflito. À medida que as incertezas iniciais diminuíram, houve redução em posições em dólar e busca por ativos mais arriscados, favorecendo o real; no acumulado do ano até quarta-feira (17), o dólar registrava desvalorização de 6,94% e o Ibovespa tinha alta de 4,38%.
Organismos internacionais revisaram projeções de crescimento: o Fundo Monetário Internacional reduziu a estimativa para 2026 de cerca de 3,3% para 3,1%, citando efeitos da guerra sobre commodities, condições financeiras e confiança; a OCDE estimou desaceleração de 3,4% em 2025 para 2,8% em 2026 e alertou que um prolongamento da crise energética poderia reduzir a expansão global a 2,1%. Países como Alemanha e França também tiveram projeções revistas por causa do encarecimento da energia.
FMI e OCDE destacam que a recuperação dependerá da manutenção da estabilidade no Oriente Médio e da normalização do abastecimento global de energia.
Com informações de G1




