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terça-feira, novembro 3, 2026

Shein será retirada de loja física no BHV Marais após locatário anunciar venda do ponto

Shein perde espaço em loja de departamentos de Paris após proprietário vender ponto comercial

A varejista chinesa Shein deverá deixar sua primeira loja física permanente no BHV Marais, em Paris, depois que a operadora do espaço anunciou a venda do ponto comercial. A informação foi divulgada pela SGM na terça-feira (16/06).

A Shein ocupa o sexto andar do BHV Marais desde novembro. O prédio fica na região turística do Marais, em frente à prefeitura da capital francesa.

Segundo a SGM, a loja vendida foi considerada um “erro estratégico” e o novo comprador é um “grupo empresarial”. A operadora afirmou que a Shein deverá “idealmente” sair do local até o Natal. Frédéric Merlin, diretor da SGM, declarou que os compromissos contratuais com a Shein em lojas fora de Paris serão “cumpridos” até a conclusão de uma revisão “de longo prazo”. Merlin também admitiu ter cometido “erros” e disse que a venda do BHV faz parte de um “plano genuíno para uma retomada eficaz por pessoas sérias”.

A chegada da Shein ao estabelecimento, que marcou a transição da marca do comércio online para uma presença física em local de prestígio, gerou reações contrárias. Na inauguração, clientes formaram filas, mas houve também protestos de manifestantes que criticaram o modelo de negócio da empresa, os impactos ambientais e denúncias relacionadas ao trabalho infantil na cadeia de fornecedores.

Autoridades e comerciantes reagiram com medidas legais e regulatórias. Milhares de lojistas abriram processos por concorrência desleal e, segundo a administração do BHV, cerca de 100 marcas deixaram o departamento após a entrada da Shein.

Em dezembro, reguladores da União Europeia iniciaram investigação sobre a venda, por meio da plataforma, de itens potencialmente ilegais, como “bonecas sexuais com aparência infantil”, armas e medicamentos não autorizados na UE. Em resposta, o primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, ordenou o bloqueio do acesso ao site da Shein por dois dias, período em que a alfândega reteve encomendas para inspeção.

A empresa informou ter removido imediatamente os produtos questionáveis do seu marketplace — seção que comercializa itens de terceiros — e proibido globalmente a venda de bonecas sexuais no site.

Além das controvérsias, a Shein recebeu multas na França. No início de junho, o governo aplicou duas sanções que totalizam mais de €22 milhões (R$ 128,8 milhões), por problemas relacionados à rastreabilidade de produtos, rotulagem ambiental e prazos de entrega. Com essas penalidades, o total de multas impostas pelo país à companhia supera €210 milhões (R$ 1,2 bilhão).

Fundada na China em 2012 e atualmente sediada em Singapura, a Shein é alvo de críticas sobre condições de trabalho na cadeia de fornecedores e os impactos ambientais de seu modelo de ultra fast fashion.

Sobre a saída da loja, um porta-voz da Shein disse que a empresa respeita a decisão do BHV e lamentou que a “colaboração experimental” tenha ocorrido em um contexto de “problemas importantes preexistentes” na unidade parisiense, onde clientes tiveram de enfrentar obras de renovação em vários andares.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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