O número de vagas abertas no serviço público superou a criação de postos no setor privado nos 14 meses encerrados em fevereiro de 2026, informou o Ministério do Trabalho e do Emprego nesta quarta-feira (24). O balanço considera a diferença entre contratações e demissões e tem como base dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS).
Segundo o ministério, a expansão de vagas formais no serviço público nesse intervalo somou 1,091 milhão, elevando o total para 13,81 milhões em fevereiro de 2026. No mesmo período, a abertura de vagas no setor privado atingiu 1,041 milhão, resultando em 47,97 milhões. Com isso, a soma de vagas criadas nos dois segmentos chegou a 2,17 milhões, para um total de 62,19 milhões de empregos formais no país.
Os números da RAIS complementam os registros do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que cobre apenas os trabalhadores regidos pela CLT (celetistas). A RAIS, além desses trabalhadores, inclui servidores públicos federais, estaduais e municipais, bem como trabalhadores temporários, o que amplia a abrangência dos dados.
O ministério informou ainda que, do total de contratações no serviço público no período analisado, 886 mil se deram por prazo determinado. Para a subsecretária de Estatísticas e Estudos do Trabalho, Paula Montagner, essa movimentação no setor público se intensificou após a reforma trabalhista sancionada em 2017, no governo Michel Temer, quando se tornou mais comum o vínculo por tempo determinado.
Rafael Coletto Cardoso, Coordenador-Geral de Estudos e Estatísticas do Trabalho da pasta, apontou que o calendário de coleta dos dados pode ter influenciado o forte crescimento observado no serviço público. Ele destacou que governos municipais e estaduais costumam contratar, por exemplo, professores no início do ano com vínculo até o fim do período letivo, o que eleva temporariamente as contratações registradas.
Os dados divulgados pelo Ministério do Trabalho e do Emprego refletem, portanto, tanto a diferença entre admissões e desligamentos quanto o escopo ampliado da RAIS em relação ao Caged, incluindo servidores e temporários.
Com informações de G1




