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segunda-feira, outubro 26, 2026

4 das 10 redações nota mil do Enem 2025 tiveram grande divergência entre corretores; uma passou de 600 para 1.000 após banca final

Quatro das dez redações que alcançaram nota máxima no Enem 2025 apresentaram discrepâncias significativas entre os avaliadores, segundo os microdados divulgados pelo Inep. Em um dos casos mais extremos, um candidato do Recife recebeu 600 pontos do corretor 1 e 760 do corretor 2; após um terceiro avaliador atribuir 960, a banca de quarta instância definiu a nota final em 1.000.

O processo de correção do Enem segue uma escala de 0 a 1.000. Quando a diferença entre as duas primeiras notas excede 80 pontos, é convocado um terceiro corretor. Se persistir divergência relevante entre os três pareceres, uma banca corretora — a chamada “quarta instância” — revisa o texto com acesso às avaliações anteriores e emite a decisão final, que é irrevogável. O Inep informou ao G1 que essa banca é “altamente qualificada, composta por doutores e especialistas” e que o “procedimento garante que a nota final não seja fruto de subjetividade, mas de uma convergência técnica consistente”.

Das dez redações com nota mil, seis foram avaliadas de forma unânime pelos dois primeiros corretores e não exigiram pareceres adicionais. As quatro que geraram controvérsia aparecem em destaque nos microdados do Enem 2025.

Professores que integraram a banca avaliadora e docentes de cursinhos apontam duas hipóteses principais para as divergências: diferença na aplicação dos critérios relativos aos repertórios socioculturais (competência 2) e alterações nas regras de correção adotadas pelo Inep neste ano.

Sobre repertórios, o manual do candidato passou a orientar para a penalização de citações genéricas ou sem contextualização — os chamados “repertórios de bolso”. No entanto, parece ter havido variação na forma como avaliadores classificaram essas referências. No caso do “aluno 5”, de Fortaleza, as notas na competência 2 variaram entre 200 (por alguns avaliadores) e 120 (por outros). Situação semelhante ocorreu com o “aluno 7”, de Lauro de Freitas (BA), cuja pontuação na C2 oscilou entre 120 e 200. Em um dos textos, a invocação de Achille Mbembe e do conceito de necropolítica foi considerada, por uma banca final, pertinente e bem conectada ao tema do envelhecimento; outro corretor aplicou desconto.

Em fevereiro de 2026, o G1 revelou que as redações do Enem 2025 foram corrigidas com orientações diferentes das edições anteriores. Um documento extra, enviado por e-mail após os treinamentos presenciais, passou a estabelecer que a competência 2 deveria dialogar com a competência 3, o que implicou a chance de penalização em duas competências para repertórios avaliados negativamente. Em pelo menos dois casos de nota mil houve variação de 120 a 200 pontos na C3 entre avaliadores.

Participantes das correções criticaram a capacitação oferecida. Segundo corretores ouvidos, treinamentos presenciais realizados em diferentes regiões do país nem sempre foram uniformes, o que teria gerado “desencontros” na aplicação das orientações e contribuído para subjetividade nas avaliações. Thiago Braga, gestor de Linguagens do colégio e autor do sistema pH, afirmou que as mudanças posteriores nas regras levantam dúvidas sobre se todos os corretores as receberam e chamou a situação de “problema de gestão grave”.

O Inep mantém que o processo seguiu os parâmetros pedagógicos, metodológicos e operacionais previstos nos instrumentos oficiais do exame.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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