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terça-feira, setembro 22, 2026

SUS encaminha avaliação da PrEP injetável e cientistas relatam dois casos de remissão do HIV

O Ministério da Saúde enviou à Conitec proposta para incorporar ao SUS a PrEP injetável de longa duração, aplicada a cada dois meses, com análise prevista para agosto; na 26ª Conferência Internacional de Aids, cientistas apresentaram dois novos casos de remissão do HIV após transplante de células-tronco, elevando para 13 o total de pacientes sem detecção do vírus no sangue após esse tratamento.

A 26ª Conferência Internacional de Aids, realizada no Rio de Janeiro — a primeira edição do evento na América do Sul — reuniu especialistas, gestores e representantes governamentais para debater avanços e desafios em prevenção, diagnóstico e tratamento do HIV. No encontro foram anunciadas tanto a proposta do governo brasileiro quanto os dois novos relatos de remissão publicados pela comunidade científica.

PrEP injetável e estratégias do SUS

Atualmente o Sistema Único de Saúde disponibiliza a PrEP oral, tomada diariamente por pessoas HIV-negativas em maior risco de infecção; desde a incorporação ao SUS, 356 mil pessoas iniciaram essa estratégia no país. A versão injetável, que exige aplicação apenas a cada dois meses, é apresentada como alternativa para quem tem dificuldade em manter o uso diário do comprimido e pode ampliar a adesão ao método preventivo.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou durante a conferência que o Brasil busca ampliar opções tecnológicas para prevenção, ressaltando que a avaliação de novas tecnologias no SUS considera critérios técnicos, científicos, econômicos e as condições de acesso da população. Segundo ele, inovação sem acesso não deveria ser chamada de inovação.

Além da PrEP oral, o SUS oferece preservativos, gel lubrificante, profilaxia pós-exposição (PEP), testagem rápida e autoteste. Para pessoas que vivem com HIV, o sistema assegura tratamento antirretroviral, acompanhamento clínico, monitoramento laboratorial e atendimento multiprofissional. O Ministério acompanha também pesquisas nacionais, incluindo trabalho da Fundação Oswaldo Cruz, em parceria com instituições privadas, no desenvolvimento de medicamentos de ação prolongada.

Avanços epidemiológicos e de diagnóstico

Em dezembro de 2025 o Brasil recebeu da Organização Pan-Americana da Saúde e da Organização Mundial da Saúde a certificação de eliminação da transmissão vertical do HIV como problema de saúde pública, mantendo a taxa de transmissão mãe-filho abaixo de 2%, incidência em crianças inferior a 0,5 por mil nascidos vivos e cobertura superior a 95% em pré-natal, testagem e tratamento das gestantes vivendo com HIV.

Um relatório da Unaids apontou queda de 57% no número de mortes relacionadas à aids desde 2010 nos continentes analisados, de 1,3 milhão de óbitos naquele ano para 570 mil em 2025. No Brasil, dados do Ministério da Saúde registraram 9,1 mil óbitos por aids em 2024, redução de 13% em relação a 2023, quando foram notificadas mais de 10 mil mortes. A oferta de testes rápidos no SUS dobrou nos últimos três anos; hoje, 22% dos diagnosticados iniciam tratamento no mesmo dia e mais da metade começa terapia antirretroviral em até 30 dias após o diagnóstico.

Novos casos de remissão após transplante

Na conferência foram detalhados dois pacientes que passaram a integrar a lista de remissões do HIV após transplante de células-tronco hematopoiéticas. O paciente de Kansas City (Estados Unidos) foi diagnosticado com HIV e depois com leucemia mieloide aguda. O paciente de Essen (Alemanha) vivia com dois subtipos do vírus e também tinha hepatite B. Em ambos os casos, os doadores possuíam a mutação CCR5 delta32, que impede a entrada do vírus nas células.

Após o transplante, os receptores passaram a gerar células sanguíneas com o material genético do doador, incluindo linfócitos CD4 potencialmente resistentes ao HIV. Os antirretrovirais foram interrompidos para avaliar a resposta: no caso de Kansas City, não houve detecção do vírus por 14 meses; em Essen, a ausência do vírus foi observada por 12 meses, mas a interrupção do tratamento levou à recidiva da hepatite B. A pesquisadora Carina Elsner observou que a mutação em homozigose está presente em cerca de 10% dos europeus do norte e ressaltou a necessidade de verificar se ela é determinante para remissão duradoura.

Wissam El Atrouni, que acompanha o caso do paciente de Kansas City, afirmou que se trata de mais um relato entre arquivos de pacientes com melhora pós-transplante e que será necessário seguimento contínuo, com testes mensais. O primeiro caso considerado curado foi o de Timothy Ray Brown, o “paciente de Berlim”, que recebeu o transplante em 2007 e viveu sem sinais do vírus até morrer em 2020 em decorrência da mesma leucemia.

Entre os avanços científicos apresentados internacionalmente e as ações do SUS para ampliar acesso à prevenção, o Brasil mantém papel de destaque na resposta ao HIV, combinando diagnóstico, tratamento e incorporação de novas tecnologias na tentativa de reduzir o impacto da epidemia.

Com informações de Paranaibamais

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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