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domingo, novembro 8, 2026

Calor extremo, seca e incêndios voltam a ameaçar produção de azeite na Europa

Pressão sobre olivais pode elevar custos e afetar qualidade do azeite

O calor extremo, a seca prolongada e os incêndios florestais aumentaram a pressão sobre a agricultura europeia e voltaram a colocar em risco a produção de azeite no sul do continente. Produtores e instituições do setor alertam que a combinação desses fatores reduz a produtividade das lavouras, compromete a qualidade das azeitonas e eleva os custos de produção, com potencial para refletir em altas nos preços do azeite.

Estudos climáticos apontam que, desde 1981, o número de dias de verão com condições favoráveis à propagação de incêndios — combinação de calor, seca e vento — dobrou, evidenciando a vulnerabilidade dos olivais e de outras culturas mediterrâneas. No início de julho, a Comissão Europeia havia registrado queda nos preços do azeite desde abril, atribuída ao excesso de produção italiana; no entanto, a instituição revisou a previsão e agora projeta queda de 5% na produção de azeite do bloco no ciclo 2025/26, com a Grécia respondendo por uma retração estimada em 18%.

Relatos divulgados pelo jornal The Guardian e por associações locais descrevem danos generalizados. A espanhola ASAJA informou que os incêndios intensificados a partir de meados de julho atingiram pomares, vinhedos, áreas agrícolas, estufas e olivais, afetando citros, abacates, amêndoas, hortaliças e azeitonas — com milhares de hectares devastados. Para a entidade, a maior preocupação é o aumento dos custos de produção, que tende a ser repassado aos consumidores. A Espanha também enfrenta restrições hídricas que reduzem a umidade do solo e elevam o risco de queda prematura das azeitonas.

Além dos incêndios, a colheita de cereais espanhola já foi revista para baixo, de 24 milhões para cerca de 18,5 milhões de toneladas, ampliando a pressão sobre os preços agrícolas. Como maior produtora mundial de azeite, a situação espanhola tem peso na formação dos preços globais; o portal Data España alertou que a estabilidade do mercado segue frágil após a queda recente dos custos do azeite, que se sucedeu a valores recordes.

Publicações como o italiano Dissapore registraram relatos de incêndios que atingiram olivais na Grécia, Itália e Portugal, e apontaram que o calor prolongado facilita a disseminação de pragas. Os efeitos climáticos também se estendem a outras culturas: a associação francesa Légumes de France estima perdas de milhares de toneladas em hortaliças — incluindo alface, cenoura, alho, cebola e alho-poró — e, em algumas regiões, a produção pode cair até 50% por falta de chuva. Vinhedos tradicionais de Champagne, Bordeaux e Borgonha sofrem com o amadurecimento acelerado das uvas, que ameaça reduzir os rendimentos.

A Europa enfrentou em junho e julho de 2026 uma das ondas de calor mais severas já registradas, com temperaturas acima de 40 °C em países como Alemanha, França, Dinamarca e República Tcheca. O calor extremo causou mais de 1.300 mortes apenas na última semana de junho, além de interrupções em serviços públicos, derretimento de asfalto e cancelamento de eventos. Cientistas afirmam que esse tipo de evento teria sido “praticamente impossível” sem o aquecimento global e destacam que a Europa vem esquentando em ritmo duas vezes superior à média mundial, com temperaturas médias 2,5 °C acima dos níveis pré-industriais, consolidando 2026 como um dos verões mais extremos do continente e intensificando a pressão sobre sistemas agrícolas vulneráveis.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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