A Alliança Saúde informou nesta quarta-feira (5) que protocolou na Justiça o pedido de homologação do seu plano de recuperação extrajudicial, com o objetivo de reestruturar aproximadamente R$ 1,1 bilhão em dívidas. O pedido foi apresentado à 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo e integra o processo de reorganização financeira iniciado após mudança no controle da companhia.
Negociação direta com credores
Na modalidade extrajudicial, a companhia negocia termos diretamente com os credores e leva o acordo ao Judiciário apenas para homologação, conforme previsto na Lei de Recuperação Judicial e Falências. A Alliança ressaltou que, mesmo sendo extrajudicial, o plano precisa de validação judicial para adquirir eficácia jurídica.
Segundo a empresa, mais de 83 credores já aderiram ao plano — incluindo bancos, fornecedores, prestadores de serviço e proprietários de imóveis e equipamentos —, representando cerca de 54% das dívidas incluídas na proposta. Esse percentual atenderia ao quórum exigido pela legislação para homologação. As negociações com outros credores seguem em curso, e a companhia espera novas adesões antes e após a decisão judicial.
Opções oferecidas aos credores
O plano prevê alternativas variadas para pagamento das obrigações. A principal possibilidade permite a conversão do débito em ações da Alliança, transformando credores em acionistas — e, conforme a empresa, mais de 92% do valor das dívidas dos credores já aderentes deverá ser convertido em participação acionária.
Outra opção consiste no pagamento de 30% do débito em 11 parcelas anuais, após carência de um ano, com perdão dos 70% restantes. Há ainda uma alternativa voltada a credores de menor valor, que prevê pagamento único de até R$ 15 mil, em até 180 dias após a homologação do plano. O documento também define condições específicas para fornecedores considerados estratégicos e para proprietários de imóveis locados à companhia.
As ações da Alliança na B3, com ticker AALR3, fecharam a sessão de quarta-feira a R$ 3,15. Desde o início do ano, os papéis acumulam queda de cerca de 37%.
Impacto e próximos passos
A empresa afirmou que a conversão de dívidas em ações e o alongamento dos prazos devem reduzir o nível de endividamento e melhorar sua liquidez, além de permitir a captação de recursos para reforçar o caixa e reorganizar a estrutura de capital. A Alliança destacou que a medida tem escopo estritamente financeiro e não altera o cumprimento de obrigações com pacientes, colaboradores, operadoras, seguradoras e cooperativas médicas.
O pedido de homologação foi aprovado por unanimidade pelo conselho de administração e será submetido à ratificação dos acionistas em assembleia geral extraordinária.
A Alliança é a mais recente empresa do setor de saúde a recorrer à recuperação extrajudicial. No mês passado, a Oncoclínicas protocolou pedido similar para renegociar cerca de R$ 5,1 bilhões, após enfrentar alto nível de endividamento em cenário de juros elevados e encerrar negociações com a Porto Seguro e o Fleury para criar nova empresa de oncologia.
Com informações de G1




