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domingo, novembro 8, 2026

Amizade no trabalho ajuda ou atrapalha a carreira? Especialistas explicam onde está o limite

Relações afetivas entre colegas de trabalho podem melhorar o ambiente e a produtividade, mas especialistas e pesquisas alertam para riscos quando o vínculo pessoal passa a influenciar decisões profissionais. Exemplos de carreiras que se transformaram em parcerias de longa duração ilustram benefícios e limites desse tipo de relacionamento.

As biólogas marinhas Mônica Pontalti e Carolina Iozzi Relvas se conheceram em 2017 durante o primeiro embarque de Carolina como observadora de mamíferos marinhos. A convivência durante 45 dias fortaleceu a amizade e virou parceria profissional: Carolina tornou-se uma das principais instrutoras na empresa de treinamentos fundada por Mônica, e as duas já ministraram cursos presenciais em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, além de aulas on-line.

Outro caso é o das engenheiras Catherine Ferreira e Lívia Cipriano Magalhães. Catherine passou a trabalhar numa empresa de automação e sistemas para embarcações e teve Lívia como instrutora na sua primeira viagem. Mesmo após migrarem para departamentos diferentes, mantêm proximidade fora do expediente, organizam viagens e participam de encontros com colegas.

Limites entre amizade e profissionalismo

Para Muller Gomes, gerente da consultoria de recrutamento Robert Half, vínculos afetivos no trabalho são inevitáveis e trazem vantagens como colaboração mais fluida, troca de conhecimento e fortalecimento do networking. Ele também destaca o papel dessas relações no chamado “salário emocional” — fatores não financeiros que influenciam satisfação e permanência na empresa.

Pesquisas reforçam a percepção positiva: levantamento do Indeed Brasil com 1.065 trabalhadores, realizado em janeiro de 2025, aponta que 57% veem melhora na colaboração entre equipes; 52% dizem que amizades tornam o trabalho mais agradável; 50% afirmam redução do estresse; 45% associam o vínculo ao aumento de motivação e produtividade; 7% acreditam que não há influência no desempenho; e 54% dizem ter um melhor amigo no trabalho.

O Índice de Confiança do Trabalhador do LinkedIn mostra que 55% dos profissionais brasileiros têm amigos no ambiente de trabalho, mas apenas 35% consideram essa relação necessária. Pesquisa da KPMG com 1.019 trabalhadores nos Estados Unidos revela que 87% consideram importante ter amigos próximos no trabalho, 84% relacionam essas amizades à saúde mental e 57% aceitariam um salário 10% menor em troca de um ambiente que permitisse laços próximos. Camilla Pádua, sócia-líder da área de consultoria em gestão de pessoas da KPMG no Brasil, diz que essas conexões criam “um tecido de confiança” que acelera entregas e amplia a sensação de pertencimento.

Quando a amizade passa a ser problema

Especialistas alertam para sinais de que o relacionamento extrapolou limites profissionais. Eliane Aere, presidente da ABRH-SP, afirma que o risco ocorre quando laços pessoais começam a afetar avaliações, promoções, distribuição de tarefas e feedbacks: “A amizade deve adicionar valor ao seu trabalho, não subtrair a sua objetividade”.

Lucimara Costa, diretora de Recursos Humanos da Nexti, destaca exemplos práticos: omitir feedback para não magoar um amigo ou tomar decisões por afinidade em vez de competência indica perda de limites. Rodrigo Vianna ressalta a importância de transparência e profissionalismo quando amigos ocupam posições de liderança, para evitar percepções de favorecimento.

Solidão corporativa e recomendações

Por outro lado, a ausência de vínculos também preocupa. Marcela Zaidem, fundadora da consultoria Cultura na Prática, cita a “solidão corporativa” — sensação de isolamento mesmo entre colegas — e aponta que pertencimento depende de confiança, respeito, segurança psicológica e liderança de qualidade. Muller Gomes lembra que a falta de interação prejudica produtividade, saúde mental e o desenvolvimento profissional, enquanto Bruno Gonçalves associa a solidão ao aumento do absenteísmo, queda da criatividade e enfraquecimento do engajamento.

Pesquisa da Pluxee com mais de 2 mil brasileiros indica que 47% se sentem sozinhos no trabalho com frequência ou às vezes, 78% consideram essencial ter amizades verdadeiras no ambiente profissional e, numa escala de 1 a 5, atribuíram média de 3,39 ao impacto das amizades na decisão de permanecer ou deixar uma empresa.

Especialistas recomendam cuidados para manter amizades saudáveis sem comprometer o profissionalismo: evitar privilégios em promoções e avaliações, separar critérios profissionais de laços pessoais, preservar confidencialidade, manter imparcialidade em feedbacks e garantir que conflitos pessoais não afetem a equipe. Sinais de alerta incluem evitar dar feedback por medo de perder a amizade, decisões por afinidade, compartilhamento de informações confidenciais, percepção de favorecimento e formação de grupos fechados.

Muller Gomes resume: a amizade no trabalho ajuda até certo ponto e é preciso maturidade para reconhecer quando ela contribui e quando começa a atrapalhar.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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