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domingo, novembro 8, 2026

Fundação da Apex Partners afasta presidente após investigação e obtém liminar para proteção de bens

Afastamento e investigação interna

O fundador e presidente da Apex Partners, Fernando Cinelli, foi afastado do comando da empresa na quinta-feira (6) após uma apuração interna ter identificado “inconsistências financeiras da companhia”. O diretor financeiro, Eduardo Siqueira, também teve o afastamento determinado pelos sócios. Em caráter interino, a presidência ficou com Marcelo Murad, sócio sênior da plataforma de investimentos com sede em Vitória (ES).

Os sócios informaram que contratarão uma auditoria externa para aprofundar a investigação e que adotarão medidas judiciais para buscar a responsabilização cível e criminal dos envolvidos. A companhia afirmou que as providências foram tomadas após um “rigoroso processo de apuração interna” que revelou problemas nos registros financeiros.

Motivo do confronto entre sócios

Segundo relatos de associados citados pela coluna de Abdo Filho, houve falta de transparência nos balanços e desconhecimento sobre a extensão da dívida da Apex. Os sócios atribuem os problemas ao presidente e ao diretor financeiro, daí a decisão por seu afastamento.

O episódio que tornou insustentável a situação foi o investimento de um fundo da Apex na agência de viagens CVC. A aquisição de 15,5% das ações da CVC teve forte desvalorização — quase 40% em seis meses — e ocorreu em contexto no qual investidores haviam sido garantidos rendimento. Essa perda precipitou a abertura da apuração interna. Cinelli havia sido indicado para uma cadeira no conselho de administração da CVC em abril do ano passado e renunciou ao cargo no mesmo dia em que foi afastado da Apex.

Medida judicial e prazo para recuperação

Na sexta-feira (7), o juiz Marcos Sanches, da Vara de Recuperação Judicial e Falência de Vitória, concedeu liminar que suspende execuções contra o grupo de empresas ligado à Apex. A decisão visa proteger o patrimônio de 178 companhias associadas, em face de dívidas que somam R$ 975 milhões.

O magistrado determinou que as empresas apresentem, em até 30 dias, pedido de recuperação judicial — sob pena de perda de eficácia da cautelar — e nomeou uma administradora judicial para realizar perícia técnica sobre as condições operacionais do conglomerado, com prazo de 20 dias para conclusão desse trabalho. A medida objetiva preservar atividades e evitar esgotamento de ativos antes de eventual pedido formal de recuperação.

Em nota, a Apex afirmou que a liminar tem caráter preventivo e não constitui pedido de recuperação judicial. A empresa disse que a tutela cautelar busca garantir patrimônio e continuidade operacional enquanto se contrata auditoria externa, e ressaltou que a decisão não afeta patrimônios segregados dos fundos, valores fiduciários de emissões de certificados de recebíveis nem patrimônios de afetação de SPEs.

Posições e reação do mercado

A defesa de Fernando Antonio Kulnig Cinelli declarou que ele está “dedicado e comprometido a contribuir” para a preservação da companhia e em esclarecer as questões levantadas com transparência e idoneidade.

No mercado, o BTG Pactual rompeu o contrato de distribuição com a Apex e bloqueou resgates de um fundo ligado à plataforma. A Secretaria da Fazenda do Espírito Santo (Sefaz) emitiu comunicado afirmando que o Tesouro Estadual e o Fundo Soberano (Funses) não possuem recursos investidos na Apex Partners.

As investigações internas continuam, e a conclusão dos trabalhos depende da auditoria externa em processo de contratação.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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