Bloqueios em massa de contas do WhatsApp registrados na segunda-feira, 3 de agosto, afetaram usuários em várias regiões do mundo, inclusive no Brasil. Pessoas ouvidas pelo g1 relatam ter ficado impedidas de acessar perfis por mais de um mês e afirmam ter perdido históricos com mais de dez anos de conversas, fotos e vídeos.
O site Downdetector, que monitora falhas em serviços, registrou aumento nas reclamações sobre suspensões “sem motivo aparente”. Entre os casos citados, há relatos de contas profissionais derrubadas e impactos diretos na renda de trabalhadores que dependem do aplicativo para atender clientes.
Uma usuária que teve sua conta bloqueada decidiu processar a Meta na Justiça, alegando prejuízo após perder perfis usados para trabalho, e pediu liminar para reverter as suspensões. Em nota, o WhatsApp afirmou que pode suspender contas quando identificar violação de suas regras e que há a opção de solicitar revisão por um operador. A empresa, porém, não comentou as acusações de bloqueios indevidos feitas por usuários.
Segundo os termos da plataforma, o envio de spam, golpes e outras condutas que comprometam a segurança alheia são proibidos. Usuários afetados dizem que não praticaram ações semelhantes e reclamam da falta de explicações claras sobre os motivos das suspensões.
Perdas para profissionais
O mecânico Dionatam Carteri, de Passo Fundo (RS), afirmou que teve a conta no WhatsApp bloqueada no fim de julho. Ele usava o perfil desde 2015 e relatou ter perdido conversas com clientes, fotos de família, documentos e registros de contratos. Dionatam disse que, na parte profissional, ficou sem instrumentos essenciais para localizar clientes — em muitos casos só tinha os números salvos no aplicativo — o que, segundo ele, pode resultar em perda de serviços e de renda.
Ao ser suspenso, o aplicativo exibe a mensagem “Esta conta não pode usar o WhatsApp”. É possível solicitar revisão clicando em “Solicitar análise”. Dionatam utilizou esse recurso e também a página de contato do site, mas relatou não ter recebido retorno: a plataforma informou que o uso de outros canais ou contas de terceiros não acelera a revisão.
A massagista identificada como Débora (nome fictício a pedido da entrevistada), de São Paulo, teve a conta no WhatsApp Business bloqueada no final de junho. Ela criou um segundo perfil para manter atendimentos, que foi suspenso por algumas horas cerca de dez dias depois. O acesso oscilou até o banimento definitivo da primeira conta; uma terceira conta também passou por restrições, normalizando apenas em 14 de julho. Débora estima que a perda do perfil usado para divulgação reduziu em cerca de metade seu faturamento no período e reclama da ausência de esclarecimentos sobre quais regras teriam sido descumpridas.
O advogado Rafael Barreto, que representa Débora, afirmou ter enviado notificações extrajudiciais à Meta em nome de outros dois clientes banidos, sem resposta. Barreto sustenta que suspensões ocorrem de forma aleatória e prejudicam o trabalho de usuários.
Aspectos jurídicos e procedimentos
O advogado Luiz Augusto D’Urso, especialista em direito digital, explicou que a plataforma pode punir usuários, mas que é necessário apresentar motivos claros para a medida. Segundo ele, quando a empresa não fornece justificativas razoáveis, a questão pode ser discutida em juízo e, se a plataforma não comprovar o motivo do banimento, um juiz tende a determinar a restauração do acesso.
D’Urso orientou que o usuário deve inicialmente usar os mecanismos de revisão oferecidos pelo próprio WhatsApp. Em caso de ausência de resposta, cabem reclamações em consumidor.gov.br, denúncias ao Procon ou envio de notificação extrajudicial; persistindo a negativa, é possível recorrer ao Poder Judiciário.
Débora e outros entrevistados reclamam ainda da escassez de atendimento humano para esclarecer as decisões, relatando respostas automáticas e falta de comunicação direta com a plataforma.
Com informações de G1




