Setor registra recorde de aportes, mas cobertura ainda é desigual
O setor de saneamento básico alcançou, pelo terceiro ano seguido, volume recorde de investimentos em 2024, totalizando cerca de R$ 29,1 bilhões, segundo o relatório Panorama da Universalização do Saneamento 2026, divulgado nesta segunda-feira (10) pela Associação Brasileira das Empresas de Saneamento (Abcon).
Apesar da alta, o país ainda enfrenta dificuldades para universalizar o acesso aos serviços. De acordo com o levantamento, 780 municípios já atingiram a meta de universalização do abastecimento de água. No caso do esgotamento sanitário — coleta e tratamento — o número é menor: 321 municípios alcançaram a universalização. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) registra 5.571 municípios no Brasil.
O estudo da Abcon aponta que 3.625 municípios têm contratos com metas estabelecidas para universalizar o abastecimento de água, enquanto 3.774 cidades contam com metas para a universalização do esgotamento sanitário. Ainda assim, há municípios sem informações suficientes para avaliar a capacidade de cumprimento das metas: 1.107 no caso do abastecimento de água e 1.431 para coleta e tratamento de esgoto.
Segundo a Abcon, os investimentos de 2024 representam um crescimento de 9% em relação a 2023. A entidade atribui parte do avanço à realização de leilões e à maior participação do setor privado. Entre 2020 e junho de 2026 foram realizados 70 leilões, que resultaram em contratações com potencial de R$ 227 bilhões em investimentos, em projetos que atingiram cerca de 100 milhões de pessoas em 2.480 municípios.
Além disso, 31 projetos estão em fase de estruturação, com previsão de R$ 32 bilhões em aportes destinados a 636 municípios, e expectativa de beneficiar aproximadamente 11,9 milhões de brasileiros.
Em relação ao tratamento de esgoto, o país tratou 51,8% do volume gerado em 2024. O total de esgoto tratado cresceu 5% entre 2023 e 2024 — uma quantidade equivalente a aproximadamente 1,9 milhão de piscinas olímpicas.
O levantamento também registra melhoria na oferta regular de água desde a implementação do Marco Legal do Saneamento. De acordo com a Abcon, o número de domicílios atendidos por rede de distribuição com disponibilidade diária aumentou 15%, passando de 52,8 milhões para 60,5 milhões de residências.
O Marco Legal do Saneamento é uma lei que alterou normas do setor no país. O texto foi aprovado pelo Congresso Nacional e sancionado pelo então presidente Jair Bolsonaro (PL). A legislação prevê mecanismos para ampliar a cobertura de rede de água potável e coleta de esgoto a índices próximos a 100% até 2033 e estabelece incentivos à participação privada no setor.
Com informações de G1




