O Supremo Tribunal Federal (STF) tornou público, nesta segunda-feira (14), o processo que investiga a rede de pagamentos ligada a Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. A retirada do sigilo foi assinada pelo ministro André Mendonça, após determinação do presidente do STF, ministro Edson Fachin, e manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) favorável à divulgação.
O levantamento do segredo alcançou a Pet 15.645, que estava sob responsabilidade exclusiva de Mendonça, e permitiu a abertura do conteúdo a outros ministros. Com a medida, o STF encerrou o segredo judicial sobre 54 linhas de investigação derivadas da Operação Compliance Zero, que apura crimes como corrupção de agentes públicos e supostas fraudes financeiras bilionárias atribuídas a Vorcaro.
O que consta no processo
O procedimento reúne detalhes sobre pagamentos, contatos e movimentações financeiras atribuídas a Daniel Vorcaro, além de registros de relações entre o banqueiro, empresas e demais investigados no chamado caso Master. Entre as anotações, há apontamentos sobre operações consideradas atípicas e movimentações milionárias vinculadas, em parte, a Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro.
Os documentos descrevem, entre outras operações, a compra de um veículo de luxo e transferências de valores elevados para companhias do setor da construção civil. A análise preliminar dos autos indica que doações e transferências via Pix podem ter sido utilizadas para dificultar a identificação da origem e do destino dos recursos sob investigação.
Acesso a dados do celular
Na manhã de segunda (14), a Polícia Federal (PF) entregou ao ministro Cristiano Zanin uma cópia integral dos dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro. Zanin havia determinado o acesso ao material para formar sua convicção antes do julgamento que envolve o ministro Alexandre de Moraes; Gilmar Mendes e o próprio Moraes também solicitaram acesso ao conteúdo apreendido.
O envio da cópia pela PF foi comunicado ao STF no domingo (13), quando a corporação informou que tinha condições de remeter o conteúdo. O presidente da Corte, Edson Fachin, havia pedido esclarecimentos sobre a guarda do material e o estado do aparelho após a extração dos dados.
O ex-relator do caso, André Mendonça, registrou despacho a Fachin solicitando explicações sobre questionamentos apresentados por quatro delegados da PF acerca do envio das informações. Mendonça afirmou que havia “divergências de informações” sobre o procedimento, que não houve determinação da Presidência do STF para esclarecer as circunstâncias em que os dados chegaram ao seu gabinete em 8 de março de 2026, e que o gabinete recebeu apenas uma cópia de segurança, lacrada e intocada.
Os autos agora tornados públicos também serão considerados na sessão plenária marcada para terça-feira (15), quando os ministros decidirão sobre a abertura de investigações relacionadas a possíveis ligações entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes.
Com informações de Paranaibamais




