O principal índice da bolsa brasileira passou a operar em queda nesta terça-feira (27). Por volta das 15h10, o Ibovespa registrava baixa de 0,30%, aos 176.081 pontos. No mesmo horário, o dólar comercial recuava 1,17%, cotado a R$ 5,3396, tendo atingido a mínima do dia em R$ 5,3080.
Na sessão anterior, a moeda norte-americana havia registrado sua maior alta diária desde 1999, com um avanço de 8,21% e fechamento a R$ 5,4027. Também na segunda-feira, o Ibovespa teve forte perda intradiária de 13,88%, atingindo 176.608 pontos, a maior queda desde março de 2020.
A repercussão do resultado das eleições presidenciais segue influenciando o comportamento dos mercados. A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 51,78% dos votos válidos frente a 48,22% do senador Flávio Bolsonaro (PL), levou investidores a recalibrar expectativas sobre juros, câmbio, bolsas e contas públicas, e a exigir sinais mais claros de ajuste fiscal por parte do governo.
Participantes do mercado temem que a piora nas condições financeiras eleve o custo do crédito e pressione a inflação, o que poderia resultar em nova elevação da taxa Selic. Analistas consultados apontam a condução da política fiscal — em particular a trajetória da dívida e o controle de despesas — como fator central para restabelecer confiança entre agentes econômicos.
Representantes do mercado destacaram ainda que a equipe econômica sinaliza a proposta de uma PEC com revisão de gastos obrigatórios como parte das medidas para buscar estabilidade fiscal.
Externamente, o foco está na decisão do Federal Reserve sobre juros, prevista para quarta-feira (28). Dados do CME Group indicam que a maioria dos investidores espera manutenção das taxas. O mercado também monitora possíveis declarações do presidente do Fed, Kevin Warsh.
Na cena internacional, as eleições em Israel, as primeiras desde o início da guerra em Gaza, e o risco de ataques no Oriente Médio permanecem entre os fatores de influência. No mercado de petróleo, os temores de novos ataques dos houthis à Arábia Saudita mantêm os preços elevados; por volta das 15h10 o Brent recuava 1,78%, a US$ 113,75 o barril, e o WTI caía 1,97%, a US$ 99,76 o barril.
Os mercados globais mostravam comportamento misto: em Nova York, próximos das 15h10, o Dow Jones avançava 0,02%, o S&P 500 subia 0,61% e o Nasdaq Composite ganhava 1,15%. Na Europa, o índice STOXX 600 subia 0,49%, com DAX em alta de 0,71% e CAC-40 em 0,51%, enquanto o FTSE 100 do Reino Unido recuava 0,75%. Na Ásia, o SSEC e o CSI300 perderam 1,3%, o Nikkei subiu 1,73%, o Kospi valorizou 3,09% e o Hang Seng caiu 0,73%.
Indicadores de curto prazo mostram no câmbio um acumulado semanal de -8,21%, mensal de -4,41% e anual de -1,57%. Para o Ibovespa, os acumulados são: semana -0,17%, mês +10,06% e ano +27,28%.
O mercado deve manter atenção às próximas comunicações oficiais e às decisões de política monetária no exterior, que podem influenciar novamente a trajetória do câmbio e da bolsa nas sessões seguintes.
Com informações de G1




