O dólar iniciou a quinta-feira (19) com movimentação de risco nos mercados globais, em meio a uma nova rodada de ataques à infraestrutura energética no Oriente Médio que impulsionou os preços do petróleo. O Ibovespa, principal índice da B3, abriu às 10h sob esse cenário de maior aversão a risco.
O Irã anunciou o início de uma nova fase do conflito, direcionando ações contra estruturas energéticas no Golfo relacionadas aos Estados Unidos, em retaliação a um ataque de Israel ao maior campo de gás iraniano. Em sequência, forças ligadas ao Irã atingiram instalações no Catar, na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos, o que levou a uma alta expressiva dos preços do petróleo.
Os dados de desempenho mostram o dólar acumulando na semana -1,29%, no mês +2,18% e no ano -4,43%. O Ibovespa apresenta variação acumulada na semana de +1,12%, no mês -4,85% e no ano +11,49%.
Copom e expectativa de cortes na Selic
O Banco Central do Brasil (BC) deve iniciar nesta quarta-feira (18) um ciclo de redução da Selic após quase dois anos sem cortes. A maioria do mercado espera um recuo de 0,25 ponto percentual, levando a taxa básica para 14,75% ao ano. O movimento ocorre em um contexto externo incerto — especialmente pela alta do petróleo acima de US$ 100 — que tem influenciado as projeções de inflação no país e levado analistas a preverem um início de ciclo mais cauteloso. Ainda assim, a projeção é de continuidade na redução da Selic nos próximos meses, com possibilidade de encerrar 2026 em torno de 12,25% ao ano, se a inflação permitir.
Decisão do Fed
O Federal Reserve (Fed) manteve a taxa de juros dos EUA na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano, nível mais baixo desde setembro de 2022. Foi a segunda reunião consecutiva sem mudança na taxa, decisão alinhada ao mercado. Em 28 de janeiro, o Fed havia interrompido um ciclo de três cortes. A guerra no Oriente Médio e a elevação do preço do petróleo foram fatores relevantes na deliberação, diante do risco de impacto sobre a inflação.
O Fed manteve a expectativa de um corte de 0,25 ponto percentual em 2026: 12 dos 19 membros do FOMC projetam ao menos uma redução, enquanto sete preveem que a taxa ficará no nível atual. O presidente do Fed, Jerome Powell, afirmou que “vários participantes” mencionaram a possibilidade de o próximo movimento ser uma alta, e que a alta dos preços de energia deve pressionar a inflação no curto prazo, embora ainda seja cedo para avaliar a magnitude e a duração dos efeitos.
Guerra no Oriente Médio e impactos
Os confrontos na região entram na terceira semana sem perspectiva de trégua. Israel afirmou ter matado o ministro da Inteligência do Irã e já havia eliminado Ali Larijani na véspera. Em retaliação, o Irã lançou bombas contra Tel Aviv, com relatos da imprensa local sobre a morte de um casal de idosos. O Exército israelense também bombardeou o centro de Beirute, no Líbano, deixando seis mortos e 24 feridos. Os Estados Unidos intensificaram ações e usaram uma bomba de penetração contra posições iranianas no Estreito de Ormuz.
Combustíveis e medida do governo
O governo federal anunciou medidas para aumentar a fiscalização dos fretes e garantir um piso mínimo para caminhoneiros, com punições previstas para empresas que pagarem abaixo do valor mínimo, inclusive suspensão de atividades. A iniciativa busca evitar nova paralisação diante da alta do diesel.
Além disso, foi proposta a isenção do ICMS sobre a importação do diesel até o fim de maio, com compensação de metade das perdas aos estados. A medida pode custar R$ 3 bilhões por mês, dos quais R$ 1,5 bilhão seriam pagos pela União. A decisão deve ser tomada até 28 de março. Na semana anterior, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva havia solicitado que governadores reduzissem o ICMS após cortes no PIS/Cofins, mas os governadores disseram que não reduzirão o imposto por comprometer o financiamento de políticas públicas e por acreditarem que reduções nem sempre são repassadas ao consumidor. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, se reúne com representantes estaduais para tratar do tema e confirmou que deixará o ministério na sexta-feira (20).
Mercados globais
Em Wall Street, os principais índices recuaram após a decisão do Fed e comentários de Powell sobre o combate à inflação: Dow Jones caiu 1,64%, S&P 500 recuou 1,35% e Nasdaq perdeu 1,46%. Na Europa, as bolsas fecharam em queda com a alta do petróleo após ataque a um campo de gás no Irã; o STOXX 600 caiu 0,70%, Londres recuou 0,94%, Frankfurt caiu 0,96%, Paris perdeu 0,06%, Milão caiu 0,33% e Lisboa recuou 0,44%, enquanto Madri subiu 0,29%.
Na Ásia, bolsas fecharam majoritariamente em alta, influenciadas por otimismo com inteligência artificial e resultados do Alibaba: Xangai avançou 0,32%, o CSI300 subiu 0,45% e Hong Kong ganhou 0,61%. O Nikkei, do Japão, saltou 2,87%, e o Kospi, da Coreia do Sul, teve alta de 5,04%.
A cobertura da guerra e seus desdobramentos econômicos segue em atualização.
Com informações de G1




