Uberlândia recebeu em 9 de março de 2026 onze novas ambulâncias destinadas à implantação do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Os veículos foram repassados pelo Ministério da Saúde ao Governo de Minas e cedidos ao Cistri, consórcio regional responsável pela coordenação da operação. A frota é composta por oito Unidades de Suporte Básico (USB) e três Unidades de Suporte Avançado (USA).
O que muda na cobertura
Segundo a Prefeitura, a chegada das ambulâncias encerra uma lacuna: Uberlândia era a única cidade brasileira com mais de 500 mil habitantes sem cobertura do Samu. Com o sistema em operação, a administração municipal projeta ampliar o atendimento a mais de 800 mil pessoas na cidade e na região. A previsão oficial é que o serviço comece a operar entre o fim do primeiro e o início do segundo semestre de 2026.
Como se deu a implantação
O processo de implantação teve início em março de 2025, quando equipe do Ministério da Saúde realizou visita técnica à cidade para avaliar a implementação do Samu e de novas unidades de pronto atendimento. Nos meses seguintes, Prefeitura e Cistri definiram cronograma, custos, contratação de equipes e adaptações estruturais. Em setembro de 2025, o município informou que a efetivação do serviço dependia da confirmação de custeio federal e estadual, além de recursos para bases, profissionais e adequação das UAIs que funcionarão como retaguarda.
Debate sobre destino dos pacientes
Embora a ampliação do socorro pré-hospitalar seja vista como avanço para reduzir tempos de resposta e deslocamentos improvisados, a entrega das ambulâncias reacendeu questionamentos sobre a capacidade de atendimento hospitalar da cidade, com foco no Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (HC-UFU), administrado pela Ebserh. O secretário municipal de Saúde, Adenilson Lima, destacou que um dos efeitos esperados é o direcionamento do paciente para o cuidado mais adequado.
O coordenador do Movimento Cidade Futura, Frank Barroso, que relatou ter sido atendido no HC-UFU após acidente de trânsito, afirmou que a cidade ainda depende excessivamente do hospital universitário para urgência, emergência e atendimentos especializados. Barroso relatou problemas observados no ambulatório de traumatologia e defendeu a necessidade de um hospital de grande porte e estruturado para atender a demanda sem sobrecarregar o hospital-escola.
Ações do Ministério Público Federal
O cenário hospitalar também tem sido alvo de ações e representações do Ministério Público Federal. Em janeiro de 2026 o MPF ajuizou ação para padronizar laudos de exames cardíacos invasivos no HC-UFU, depois de identificar relatórios sem percentuais de obstrução. Em junho de 2025 o órgão abriu inquérito sobre atendimento reumatológico e ausência de eletroneuromiografia, citando gestão de filas e oferta insuficiente de consultas. Em 2019 o MPF denunciou sete médicos, três vinculados ao HC-UFU, por homicídio culposo em caso de um menino de 13 anos. Documentos de 2025 e de março de 2026 também registram representações envolvendo suposta negligência e erro médico na unidade.
Próximos passos
A entrega das ambulâncias é considerada histórica pela Prefeitura, mas autoridades e especialistas apontam que a efetividade do Samu dependerá da regulação, da estruturação de bases, da disponibilidade de equipes e da capacidade da rede hospitalar de absorver a demanda organizada. O município já estimou a necessidade de recursos adicionais, incluindo R$ 85 milhões do teto MAC, para viabilizar bases, pessoal e unidades de apoio.
O avanço no socorro pré-hospitalar tende a reduzir improvisos e organizar fluxos de atendimento. No entanto, a melhoria plena do desfecho dos pacientes dependerá também da capacidade dos serviços de retaguarda em receber e tratar casos graves com segurança.
Com informações de Vozdeuberlandia




