A cidade histórica de Diamantina sediou, na quarta-feira, 18 de março, a solenidade de abertura do 39º Encontro de Capacitação da Corregedoria-Geral de Justiça (Encor). Presidido pelo corregedor-geral de Justiça, desembargador Estevão Lucchesi de Carvalho, o evento teve como foco principal a inteligência artificial e a tecnologia da informação aplicadas ao Judiciário. A abertura foi transmitida pela Record.
A mesa de honra contou com a presença do presidente do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), desembargador Luiz Carlos Corrêa Junior, e do ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), José Afrânio Vilela. Também participaram os desembargadores Saulo Versiani Penna, Rogério Medeiros, Kárin Liliane de Lima Emmerich e Mendonça, e Vicente de Oliveira Silva, além das juízas Marixa Fabiane Lopes Rodrigues e Rosimere das Graças do Couto, e do prefeito Geferson Giordani Burgarelli.
Tradição local e perspectiva tecnológica
Ao abrir os trabalhos, o corregedor Estevão Lucchesi relacionou a escolha de Diamantina à importância histórica da cidade e citou o cinquentenário do falecimento de Juscelino Kubitschek como inspiração para avanços. Lucchesi destacou que o Encor, em sua 39ª edição, busca projetar caminhos futuros por meio da incorporação de ferramentas de inteligência artificial.
Segundo o corregedor, a IA deve ser empregada para automatizar tarefas repetitivas, sem suplantar a atuação humana. A gestão atual tem como prioridade o fortalecimento do 1º Grau de jurisdição, com reflexos para toda Minas Gerais, da capital a polos como Uberlândia, Uberaba, Ituiutaba e Araguari. Lucchesi apontou o letramento digital, aliado à sensibilidade humana, como um dos principais desafios para essa transição.
O presidente do TJMG, Luiz Carlos Corrêa Junior, ressaltou os resultados da administração e informou que, em 2025, o tribunal julgou mais processos do que os distribuídos na primeira instância. Corrêa destacou a busca pela melhoria da prestação jurisdicional e a valorização de magistrados e servidores, e lembrou a cooperação institucional que resultou na cessão do antigo prédio do Fórum Joaquim Felício ao município de Diamantina.
Transição ao eproc e palestra de encerramento
Durante as atividades, o desembargador André Leite Praça e a juíza Mariana de Lima Andrade explicaram detalhes da migração do sistema PJe para o eproc. A ferramenta já opera em 163 comarcas, e a meta anunciada é que, até junho de 2026, todos os processos cíveis do estado tramitem pelo eproc, com ganhos de agilidade e mobilidade processual.
O ministro José Afrânio Vilela fez a palestra de encerramento, abordando o conceito do “juiz digital” e a exigência de segurança jurídica nesse contexto. Vilela relatou experiência no STJ em que o uso de automação qualificada contribuiu para reduzir um acervo de 30 mil recursos para aproximadamente dois mil. O ministro alertou para a necessidade de uso ético da tecnologia, defendendo que a IA funcione como instrumento auxiliar, sem substituir o juiz na compreensão e no trato das questões humanas.
Os debates e apresentações do primeiro dia centraram-se, portanto, na combinação entre inovação tecnológica e preservação da dimensão humana na prestação jurisdicional, com cronogramas e metas definidos para a adoção de novas plataformas processuais.
Com informações de Regionalzao




