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quinta-feira, outubro 15, 2026

Guerra no Irã agrava vulnerabilidade do Brasil à importação de fertilizantes

O Brasil segue com alta dependência de fertilizantes importados, o que o torna sensível a rupturas nas cadeias globais. Segundo a Associação Nacional de Difusão de Adubos (Anda), até 90% dos adubos consumidos no país vêm do exterior, porcentagem que expõe os produtores a choques geopolíticos e variações nos custos de produção.

A atual guerra no Oriente Médio tem potencial para agravar esse quadro, já que o Irã é fornecedor relevante de ureia e amônia. Analistas apontam que, desde o início do conflito, houve forte alta nos preços desses insumos. Tomás Pernías, analista de inteligência de mercado da StoneX, destaca que a ureia comercializada nos portos brasileiros na modalidade CFR registrou aumento de 36% no mercado nacional desde o começo do conflito.

Além da capacidade de produção, o Irã controla o Estreito de Ormuz, rota marítima estratégica para o tráfego de petróleo. Conforme relatos do setor, ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã levaram ao fechamento dessa passagem, contribuindo para a elevação dos preços do petróleo. Como fabricação e transporte de fertilizantes são intensivos em energia, o aumento do valor dos combustíveis pressiona os custos desses insumos.

Comercialização travada e impactos no milho

O movimento de alta tem provocado reajustes de tarifas por parte dos fornecedores. Davi Alvim, CEO da Autem Trade Company, afirma que os vendedores não estão preservando cotações anteriores, resultando em reprecificação conforme as condições do mercado, com compras ocorrendo apenas quando não há alternativas disponíveis.

Especialistas ressaltam que o aumento dos fertilizantes nitrogenados preocupa especialmente a cultura do milho, que demanda grande volume de nitrogênio. Pernías observa que, se os preços continuarem elevados nos próximos meses, os custos de produção da safrinha do ano seguinte tendem a subir. Ele também menciona risco de impactos na primeira safra, embora sua área plantada seja menor em comparação à safrinha.

Restrição chinesa e participação dos fornecedores

O mercado de fertilizantes já enfrentou turbulência em 2022, quando a guerra entre Rússia e Ucrânia elevou preços globalmente. Diante de incertezas sobre o fornecimento russo na época, a China passou a ter papel de destaque nas importações brasileiras. Porém, o país asiático adotou restrições de exportação com o argumento de proteger seu mercado interno.

Segundo Pernías, para produtos como o sulfato de amônio a China responde por praticamente 100% das compras brasileiras. Alvim acrescenta que a limitação chinesa já vinha sendo observada e pode se estender até agosto, situação que tende a pressionar os valores no mercado doméstico, tornando improvável a chegada de volumes chineses no curto e médio prazos.

Dados citados pela Scot Consultoria, com base na Secretaria de Comércio Exterior (Secex), mostram que a China participou de 27,4% das compras de fertilizantes pelo Brasil em 2025, seguida pela Rússia com 25,4%. No total, o país importou 45,5 milhões de toneladas de insumos no ano passado.

Com informações de Uberlandianofoco

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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