Mulheres, jovens e famílias dos territórios Tupiniquim e Guarani bloquearam a ferrovia da mineradora Vale em Resplendor (MG) desde a madrugada deste sábado. Os organizadores do protesto informaram que a interrupção do tráfego na linha tem por objetivo tornar visível a reivindicação por justiça e reparação pelos impactos do rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, há mais de dez anos.
“Depois de dez anos, seguimos lutando para que nossa voz seja ouvida e para que nossos direitos sejam respeitados, direitos não se negociam”, afirmaram as famílias participantes da mobilização. Segundo os representantes indígenas, a ação denuncia a falta de avanços na reparação e a exclusão dos povos originários das decisões sobre compensações.
As comunidades apontam que, mesmo após a celebração de um novo acordo relativo ao Rio Doce, persistem incertezas sobre medidas como o Auxílio de Subsistência Emergencial. Lideranças indígenas dizem que não houve garantia de segurança para esses benefícios e que o povo Tupiniquim foi excluído das definições dos acordos de compensação.
Além disso, as comunidades denunciam o descumprimento do direito à consulta livre, prévia e informada previsto na Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). As lideranças afirmam que a mobilização busca denunciar a ausência de diálogo e pressionar pela abertura de um processo de negociação que respeite os direitos dos povos originários afetados pelo desastre socioambiental.
Para os manifestantes, a reparação não pode ser estabelecida sem a participação direta das pessoas e comunidades impactadas pelos efeitos do rompimento da barragem, que contaminou a bacia do Rio Doce e afetou diversos territórios e povos tradicionais há mais de dez anos.
A Vale comunicou que a circulação na Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM) foi interrompida neste sábado (21) nos dois sentidos. Em nota, a empresa informou que adotará as medidas cabíveis para garantir a liberação e a operação segura da via. A companhia também orientou que passageiros com viagens agendadas para este sábado (21) podem remarcar bilhetes ou solicitar reembolso do valor pago no prazo de até 30 dias.
A mobilização em Resplendor segue como forma de pressão para que as reivindicações indígenas por reparação e participação nas negociações sejam atendidas.
Com informações de Uberlandianofoco




