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quinta-feira, outubro 15, 2026

Empresa de IA Anthropic entra em confronto com o Pentágono e levanta debate global sobre uso militar de inteligência artificial

TRANSMISSÃO: Band

Uma disputa entre a empresa de inteligência artificial Anthropic, do Vale do Silício, e o Departamento de Defesa dos Estados Unidos chamou atenção internacional nas últimas semanas por expor questões sobre limites éticos e jurídicos no uso de sistemas de IA em operações militares.

O que ocorreu

Segundo relatos da imprensa e confirmação posterior da revista Time, a ferramenta Claude, desenvolvida pela Anthropic, foi empregada para processar dados e dar suporte a decisões durante uma operação que, em 3 de janeiro, resultou na captura do então presidente venezuelano Nicolás Maduro. Nem o Pentágono nem a Anthropic fizeram confirmação pública definitiva sobre o uso em cada episódio citado.

Após a operação, um executivo da Anthropic perguntou à Palantir — empresa que atua como intermediária tecnológica entre o setor privado e o governo americano — se o software havia sido utilizado no caso. A pergunta gerou apreensão em Washington. Emil Michael, subsecretário de Defesa e diretor de tecnologia do Pentágono, manifestou receio de que a Anthropic pudesse, futuramente, desativar seu modelo no meio de uma ação e, segundo ele, colocar vidas em risco. A Anthropic afirma que a questão foi rotineira e que nunca tentou limitar o uso do Pentágono em caso específico.

Escalada e medidas

O Pentágono exigiu então acesso irrestrito à tecnologia para “todos os usos legais”. A Anthropic recusou a exigência, o que levou ao agravamento do conflito. Pete Hegseth, Secretário de Defesa no governo Trump, classificou a empresa como um “risco para a cadeia de suprimentos”, rótulo tipicamente aplicado a fornecedores vinculados a rivais estrangeiros. Em resposta, a Anthropic entrou com ação judicial alegando que o Pentágono extrapolou sua autoridade e violou salvaguardas éticas e direitos fundamentais. Especialistas jurídicos consultados pela imprensa apontaram que a empresa tem boas chances em disputas judiciais.

O presidente Donald Trump ordenou que todas as agências federais cessassem o uso da tecnologia da Anthropic e publicou na plataforma Truth Social uma mensagem inteiramente em letras maiúsculas dizendo: “Os EUA jamais permitirão que uma empresa progressista (‘woke’) e radical de esquerda dite como nossas grandes forças armadas lutam e vencem guerras.”

Linhas vermelhas e contratos

Fundada em 2021 por ex-pesquisadores da OpenAI, a Anthropic defende que desenvolvedores de IA devem priorizar segurança. Em julho de 2025, a empresa assinou com o Departamento de Defesa um contrato de US$ 200 milhões para integrar modelos de IA em fluxos de missão em redes classificadas. O acordo previa duas “linhas vermelhas”: Claude não poderia ser empregado para vigilância doméstica em massa nem para armas totalmente autônomas. O CEO Dario Amodei, cofundador da Anthropic e ex-vice-presidente de pesquisa da OpenAI, argumentou que a empresa apoia as forças militares e de inteligência dos EUA, mas se recusou a atender pedidos que considerou incompatíveis com seus princípios de segurança.

Riscos, lacunas legais e contexto internacional

Especialistas alertam para o chamado “viés de automação”, em que operadores humanos passam a confiar excessivamente nas recomendações de sistemas automatizados, corroendo o julgamento humano. A Anthropic afirmou opor-se especificamente à vigilância em massa de cidadãos americanos, enquanto o governo planejava, através da Palantir, usar IA para apoiar operações do ICE, incluindo rastreamento em tempo real e histórico financeiro de pessoas sem documentos.

No plano internacional, a falta de definição legal sobre o que constitui uma arma autônoma letal agrava o chamado “vácuo de responsabilidade”: normas do direito internacional humanitário foram concebidas para decisões humanas e não esclarecem quem responde quando um sistema autônomo comete uma violação. Em 2024, a Assembleia Geral da ONU criou um fórum para debater armas autônomas, com 166 votos a favor e apenas três contra — Rússia, Coreia do Norte e Belarus —, mas sem um tratado vinculante e mecanismos de aplicação até o momento.

Consequências e reação pública

Após a recusa da Anthropic em aceitar as exigências do Pentágono, a empresa perdeu o contrato e, horas depois, o Departamento de Defesa firmou acordo com a OpenAI. Em seguida, o aplicativo Claude registrou crescimento expressivo: ultrapassou o ChatGPT na App Store da Apple, passou a liderar em mais de 20 países e atraiu mais de um milhão de cadastros diários em determinado período, com aumento nas vendas da empresa ao público.

Movimentos internos em empresas de tecnologia manifestaram apoio à posição da Anthropic: coalizões de trabalhadores na Amazon, Google, Microsoft e OpenAI pediram que suas organizações adotassem postura semelhante; dezenas de pesquisadores assinaram um parecer jurídico em favor da Anthropic; e até um general aposentado da Força Aérea que liderou o Projeto Maven declarou publicamente simpatia pela posição da companhia. A disputa também solidificou o apoio de engenheiros da própria Anthropic em um mercado de talentos altamente competitivo.

O episódio reacendeu debates sobre até onde a sociedade deve permitir que decisões letais ou irreversíveis sejam delegadas a máquinas e sobre quem define os limites de uso da inteligência artificial em contextos militares.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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